Eu não pude escolher o meu bouquet de noiva…Vou explicar: casei em casa, minha mãe resolveu a decoração, tudo o mais (o ANTONIO NEVES DA ROCHA ainda não trabalhava nisso!), e eu, no tumulto de arrumar casa, fazer mala, ver vestido, tantas coisas, no dia do casamento, às 3 da tarde, nos demos conta que ninguém tinha pensado no bouquet! Socorro!!
Ligamos correndo para um florista maravilhoso que tinha num hotel em Copacabana e pedimos que ele fizesse à jato, um bouquet pra mim! Chegou um lindo, de orquídeas brancas, super tradicional, mas hoje, talvez, eu ousaria um pouco, diante dessa riqueza de opções que vamos ver aqui!
Começo pelo “look final da mesa”, as velas acesas e “pano de lavanda”(para não escorregar” nos pratos, esperando os suflês individuais que estão a caminho….
Este jantar, only for “Doctors”, foi em torno do grande e querido doutor Silvano Raia, pioneiro de transplante de fígado no Brasil, maior cirurgião do órgão no país e também referência mundial na especialidade, que nos deixou muito felizes com sua visita.
Pra combinar com ele, quis fazer uma mesa masculina e clássica. Assim, escolhi uma louça de porcelana Limoges, pelos desenhos discretos e enfeitei a mesa com poucas flores monocromáticas, enfim, nada de muito extraordinário, pois os homens são de Marte, né?!…
A charmosa cidade de Limoges, capital da porcelana francesa!
Como nós somos de Vênus, e adoramos assuntos paralelos, achei que talvez gostassem de uma prosa sobre Limoges e sua famosa porcelana…
Esta encantadora cidade, no meio-oeste francês, situada na região de Limousin, foi fundada pelos romanos e viveu pacatamente até a Idade Média, quando os artesãos locais a puseram no mapa por tornarem-se mestres na produção de esmalte que decorava imagens e adornos religiosos. Não contentes, um belo dia do século XV, resolveram ampliar seus anteparos e passaram a enfeitar, também, as louças de cerâmica das famílias locais.
São Gregório, pintado em esmalte de Limoges sobre placa de bronze. By Jacques Loudin, séc XV
Prato de Limoges, esmalte sobre cobre, 1654, by Pierre Reymon!
Já que nada é por acaso, este treinamento secular formou uma mão de obra especializada e única (eles irão pintar a porcelana local), que somada à imensa jazida de Caulim descoberta na região em 1765 e às florestas locais (para abastecerem os fornos de queima da porcelana) formaram o triunvirato perfeito para transformar Limoges na capital da porcelana.
De Limoges, fábrica Comte D’Artois, por volta de 1784! Lindo!!!!
Dois esclarecimentos:
– Porcelana é uma invenção chinesa (foram eles que primeiro misturaram Caulim à fórmula da cerâmica, mudando tudo), nomeada e difundida na Europa por Marco Polo, e considerada mais nobre que a cerâmica por ser mais dura, resistente, translúcida, transparente e muito mais lisa de textura, já que não é porosa. Resulta numa peça mais requintada. Mas, aqui entre nós, amo também a rusticidade das cerâmicas. No meu campeonato, elas terminam empatadas…
Deslumbre em forma de cavalo: Porcelana chinesa da dinastia Tang. Durante ela a porcelana foi inventada!
– A porcelana de Limoge caracteriza-se por ser assinada pelo fabricante e ter o selo de Limoge, ambos na parte de baixo da peça. As primeiras eram pintadas à mão e depois passaram a imprimir os desenhos, como nas litografias. As porcelanas são, quase todas, esmaltadas e os desenhos variam entre padrões florais, desenhos de frutas, pessoas e animais. Motivos de paisagens são raros e caracterizam peças antigas.
Os produtores não passavam de 34 em 1900 e os mais prestigiados eram Sinclair (comparado a Fabergé), Haviland, Guérin e Latrille entre outros.
Eis uma linda xícara de chá Limoges, de 1893, da fábrica Haviland…
Vamos à mesa, tomara que ela não desmereça seu DNA. BN
PASSO A PASSO DA MESA:
Imitando Magritte “This is not a pipe”, esta não é uma toalha, mas uma colcha de cama indiana, que eu adaptei!
Como sempre, marquei o centro da mesa.
Experimentando a distribuição dos lugares…
Entraram os copos!
Entraram as flores: pus os bouquets para marcar os lugares femininos.
Misturei com a porcelana objetos de palha, pra contrastar. Aqui já entraram os bombons que me ajudam na hora da sobremesa…
PASSO A PASSO DO CENTRO DE MESA:
Esperando os quitutes….
Completo, esperando os convidados…
DETALHES:
Close num lugar à mesa!
Espalhei azeite pela mesa pois tinha arroz de pato…
Por uma fatalidade, quase fiquei sem meus queridos chocolates da Christianne Guinle… Aprendi um plano B mara: a Kopenhagen faz umas trufas divinas e “prêt-a-porter”…
Ufa, em cima do laço surgiram estas trufas surreais de limão siciliano: de comer rezando!
Trio da pesada: mini waffle dos deuses e torradinhas de pão árabe temperadas e feitas em casa: vício. Vou dar a receita!
Como não pude ir à Cadeg, ela veio a mim e com maestria: orquídea escolhida por telefone. São craques!
Os mini bouquets que marcavam os lugares das mulheres.
A entrada já resumia a linda ópera das bodas de rubi do encantador casal Stambowsky: “total look” red!
Se vocês pensam que “Bodas de Rubí” é festa de senhorinhas, estão mais por fora que umbigo de vedete…
Quem foi à comemoração dos 40 anos de casados dos fidalgos queridíssimos, Sueli e Ricardo Stambowsky, ele o mais competente e cotado “Mestre de Cerimônias” do Rio, se esbaldou no chic “Bar do Copa”, no caso do hotel Copacabana Palace, todo engalanado para a data, mais parecendo uma festa de casamento de garotada, tal a animação e astral.
Fred Astaire e Ginger Rogers, quero dizer, Sueli e Ricardo e uma chuva de prata linda: parecia filme da MGM!
Vejam a animação da pista de dança!
Lindamente decorado pelo craque Ovídio Cavalleiro, em tom de vermelho rubí, bien sûre, me senti no Rio dos anos 50, tipo boate Vogue ou Sachas, lugares mágicos, segundo a descrição de minha mãe.
Este era o visual de quem entrava, tendo ao fundo o emblemático bar, que nomeia o lugar!
E esta a visão de quem estava no bar…
Um misto de Vogue (no meu imaginarium) com a maravilhosa Regine’s (esta eu conheci), que bombou no Rio no final dos 70 e começo dos 80!
O lindo bar que dá a maior vida e charme ao lugar…
Elegância foi a palavra -chave, mulheres lindas e caprichadas, homens de gravata preta, música espetacular, um menu vintage com croquete de cordeiro divino, picadinho empratado, como se fazia nas nights bombadas da época, amei o clima vintage. Noves fora o deslumbrante bolo, in red, da fada Regina Rodrigues, que recebia os convidados na chegada, junto com o adorável casal. Na saída ganhei, como todos, um porta-retrato com uma linda foto minha, mais uma delicadeza dos adoráveis anfitriões.
O incandescente bolo, by Regina Rodrigues: olé!
O requinte dos porta-retratos: para lembrar a linda noite forever!
Vejam um pouco mais da noite, nas fotos de minha autoria e do celular, como dá pra notar… Sorry, mas estava tudo tão impecável que não resisti e publiquei. BN
O painel de rosas cor de rubi, que fazia o fundo do bar, era um deslumbre: By Raimundo Basílio, o mago das flores e meu muso maior!
Detalhe de um dos lindos bouquets que Basílio produziu!
Algumas destas luminárias espalhadas pelo ambiente, somadas aos espelhos em profusão, deram a ele um toque de “Versalhes”
As mesas variadas, bem com ar de boate de antigamente, funcionaram também pelo saudosismo…
As almofadas eram lindas: ou bordadas de paetê ou com as iniciais dos festejados. Very chic!
Vejam a almofada linda com as iniciais de Sueli e Ricardo, by Leonardo Araujo, craque!
Outro mesa…
Termino com outro detalhe chic e carinhoso… Na hora certíssima, os Stambowsky abriram a pista de dança, acompanhados dos amigos do coração. Para distinguir as mulheres escolhidas, elas usaram esta “corsage” como é hábito em casamentos no campo, pra diferenciar as mães dos noivos madrinhas, sem impor vestidos diferenciados… Thanks Henriqueta Gomes, amadíssima, por posar sua linda mão para o BLOG!
Almoçar em casa de Rosa Maria Barreto é um dos melhores programas do Rio de Janeiro. Tudo é delicioso, super caprichado e lindo.
A mesa, com gaiolas chinesas lotadas de flores e passarinhos, as receitas gostosas de seus antepassados e a mistura dos convidados fazia do ambiente um lugar acolhedor e atemporal, elegância sem data que faz a gente querer ficar por lá para sempre… MP
A elegância e beleza da anfitriã Rosa Maria: igual ao seu almoço!
Vejam que deslumbre total!
Mais de perto… Gaiolas, flores, toalha, tudo lindo, tudo chiquérrimo, tudo feito em casa! Um luxo!
Outro ângulo!
Vejam o detalhe fofo do passarinho!
Amei este salgadinho, são uvas passadas do queijo gorgonzola e depois numa farofa de nozes com amendôas torradas, é uma delicia…
Este presente Rosa Maria Barreto ganhou da aniversariante a Embaixatriz Beatriz Corrêa do Lago, são cartões de rosas colecionados de todo canto do mundo…
Olhem o detalhe do capricho…que presente mais carinhoso. Tem coisas na vida que não tem preço!