Me lembro que na minha adolescência, quando ainda morava em Paris, meu costureiro predileto era Kenzo.
Suas coleções sempre foram um sucesso, coloridas, divertidas, descontraídas e quando ia na loja matriz, então na Place des Victoires, era uma festa.
Bom, o ídolo da moda da minha infância agora virou pintor. Depois de, por 30 anos, encantar com suas roupas alegres e seu bom humor, agora é hora de dedicar-se ao que gosta de verdade…Kenzo deu-se ao luxo de transformar sua paixão e hobby, da vida inteira, em profissão: PINTAR…
Kenzo está preparando uma exposição para a volta das férias, em Paris. Será do dia 11 de Setembro a 27 de Outubro de 2012. MP
Nem pense neste modelito para o seu fim-de-semana: tem muita programação imperdível na cidade…
Sexta-feira é o dia internacional de organizarmos a programação do fim-de-semana. Por isso, dou duas dicas bacanérrimas, pra quem está no Rio de Janeiro. Sei que já foram super badaladas, nos jornais, mas não custa nada repetí-las, vai que você estava viajando…
BN preparando-se para o percurso dantesco!
Trata-se de duas maravilhosas exposições: uma está na CaixaCultural,“Dali: A Divina Comédia” e a outra, “Alberto Giacometti na Coleção da Fundação Alberto E Annette Giacometti”, no MAM.
Linda esta gravura, que é a primeira da série, com Dante, solitário, caminhando em direção ao… inferno!
Fui primeiro ver Dalí e as cem gravuras que ele fez pra ilustrar os cem cantos da Comédia de Dante. Achei o casamento perfeito, um dueto improvável mas primoroso, onde imagens e versos se completam, com a força e estridência necessárias. Só mesmo o surrealismo para concretizar, “comme il faut”, o “código de ética” mais cruel da face da terra, setecentos anos depois: como se um tivesse esperado pelo outro. Saí incomodada, com tantas informações brutais.
A caminhada de Dalí acompanha a dos cantos de Dante e vai na sequência: Inferno, purgatório e Paraíso… Esta gravura está no inferno…
Esta exposição acentuou as saudades perenes que sinto do maravilhoso Professor Marcos Pires, pois tive a grande honra e o privilégio de tê-lo como “personal Vergílio”(a grafia é esta, segundo meu guru Junito Brandão).Por dois anos, um grupo de amigas e eu, com a perseverança e imensa cultura de Pires, nos dedicamos a tentar desvendar os mistérios do grande Dante. Sem sua ajuda, eu não teria saído do primeiro canto…
BN entrando no lindíssimo prédio do MAM!
Saímos do “Caixa Cultural” direto para o MAM, onde o grande Giacometti esperava a nossa visita, sereno e na medida.
O maravilhosos homem andante de Giacometti!
A extrema elegância de suas esculturas aliviaram e muito o meu espírito, enchendo meus olhos com suas formas limpas e esguias. Sempre que vejo algum trabalho de Giacometti, lembro da tecnologia caseira dos castelos que fazíamos com areia e água, nas praias desta vida.
Amei a última sala, no terceiro andar, com esculturas de uma fase que eu não conhecia, à la Bacon e seus Papas.
Vou contar uma brincadeira pra vocês: Meu marido e eu, quando vamos numa expo que amamos, no final “simulamos uma catástrofe” e checamos o que cada um salvaria, dentre tantas belezas. Nesta expo, ele salvaria esta escultura. Lembrei de Roberto Magalhães….
Karl Lagasse faz arte com um dolar, ótima ideia e grande sucesso. Ele tem 31 anos, é parisiense, e inspirado nos Estados Unidos, fez sua fama fazendo esculturas da nota de um dolar em aluminium ondulado. São obras coloridas, únicas, e que como ele mesmo diz ” Através da minha arte eu conto a minha época e construo a minha verdade. A lenda do sucesso com uma nota de um dolar no bolso, sempre foi um símbolico de sucesso para mim, e uma energia positiva que sempre quiz dividir…’
Segundo Karl os dizeres da nota ” In God we trust “( Acreditamos em Deus ) dá uma dimensão mistica e espiritual ao seu trabalho original. Gostei muito de suas obras, são divertidas, coloridas e muito criativas. MP
Yves Klein, um dos artistas mais influentes e conhecido do século 20, praticamente reinventou a arte contemporânea na década de 50 por seu fascínio com o imaterial.
Um apaixonado pelo céu e seus tons, criou seu próprio pigmento azul (chamado de “Klein Blue”).
Klein abriu o caminho para os movimentos da arte conceitual, minimalista, e os movimentos performáticos que se seguiram. Ele fez pinturas monocromáticas e esculturas, construiu uma galeria de exposições a partir do nada, utilizandos corpos nus como pincéis para aplicar tinta ao papel, deixando o vento e a chuva darem forma em suas telas.
Suas obras fazem parte de acervos permanentes de importantes museus ao redor do mundo, estando presente também em renomadas coleções particulares.
Nascido em Nice na França, em 28 de abril de 1928, o pintor e escultor francês Yves Klein morreu em Paris em 06 de junho de 1962.
Vamos dar uma olhada em suas pinturas e esculturas, “monocromáticos Klein Blue”!
AC
"GREAT BLUE CANNIBALISM" (1960)
"ANTHROPOMETRY PRINCESS HELENA" (1960)
Yves Klein e uma modelo durante performance de “Anthropometry of the Blue Epoch”
Ele era conhecido por usar modelos como “pincéis” para suas telas.