Minha eterna gratidão aos “Azeitonas” por me proporcionarem uma experiência digna da musa Ana Maria Braga!
Agradeço este post, de joelhos, ao animado “Azeitonas sem Caroço” cujos integrantes fecharam a Dias Ferreira, em pleno sábado de carnaval me proporcionando, na sequência, um dos melhores “momentos gourmet” da minha vida: “shopping” no Hortifruti solita.
Gentileza do Hortifruti: compras embaladas pelo talento do cantor Clauco Cerejo e seu repertório, baseado nas lindas canções de Tom Jobim, Frank Sinatra ou Roberto Carlos…
Tudo começou quando passei a fazer, aos sábados, minhas compras semanais de legumes e cia. Por ser mais vazio, farto e ter uma inusitada música ao vivo, que faz o tempo e as filas passarem mais rápido, ir ao Hortifruti no fim de semana virou um programa. Assim, rumei pra lá, em pleno carnaval, esquecendo de um pequeno detalhe: os blocos…
Na minha chegada, ainda restavam alguns clientes…
Como tenho por hábito dividir esta incumbência alimentar com Nelson da Silva Jr, que fica com a lista fixa, e maior, e eu com as alegorias e adereços, despachei-o para “Operação Paladar” e fui dar uma andadinha na praia. Por sorte, os “Azeitonas” ainda estavam esquentando os tamborins quando ele entrou no mercado mais badalado do Leblon… De repente, nosso Faubourg Sain Honoré foi tomado pelos foliões e o sortudo Nelson virou reféns da folia, divinamente sitiado no templo das hortaliças e clamando a minha ajuda.
Aqui já estou eu, in heaven: a única dona do pedaço…
Uma hora e várias tentativas depois, consigo finalmente chegar à garagem do Hortifruti pela contramão, devidamente autorizada por quem de direito, e me deparo com a seguinte cena: uma multidão do lado de fora, curtindo a vida adoidado enquanto Nelson, indiferente, flanava absoluto pelo meu futuro mausoléu, com aquele maravilhoso reino alimentar a seus pés, mercadorias dispostas lindamente e só pra ele, funcionários a seu inteiro dispor, nada de atropelo tudo a tempo e hora. Sem pestanejar, invadi aquela praia e realizei um dos meus mais preciosos sonhos de consumo…
Vejam o causador do meu momento gourmet de glória, Nelson, saindo da foto de fininho, depois de aproveitar a personal sala dos legumes …
Vejam nas fotos, que não são divinas, pois fui pega de surpresa e me restou o celular! BN
Sozinha na sala das frutas, me senti a irmã do Riquinho, com a Disney fechada só pra mim: e olha que nem era meu aniversário!
Vejam aquela “encruzilhada” que sai da sala das frutas e entra na dos legumes e toma de passar carrinho, tirando fino ou não, dos nossos pés…
Salão das verduras… Céu de brigadeiro!
Como diz nossa MP: Deleite mesmo é ter os biscoitos só pra mim…
Aproveitei pra conhecer novos frios, tal a mordomia do momento…
Gran Finale: fiz uni duni tê pra escolher o caixa. Quem é do ramo, sabe o que isto significa…
Não deixem de ler este texto interessantíssimo que o Professor DEONÍSIO DA SILVA compartilha com o 40 Forever!
Sem querer, ou querendo, nos tornamos “voyeurs” da vida alheia…
AC
BIG BROTHER: INVASÃO DE PRIVACIDADE, MAS COM AUTORIZAÇÃO!
Deonísio da Silva
“Em 1993 ainda era possível surpreender-se. A bela e gostosa Sharon Stone, com as imagens ainda frescas na memória de todos do extraordinário cruzar de pernas sem calcinha no filme anterior, Instinto Selvagem, era vigiada por câmeras ubíquas, instaladas por William Baldwin em todo o prédio de luxo onde ambos moravam (ele, o dono; ela, a inquilina), cada qual em seu apartamento, mas que diferença fazia para o espião?
Como um deus que tudo vê, pior do que o triângulo ameaçador, com um olho no ângulo superior, quase sempre posto ao lado do crucifixo nos seminários onde estudaram tantos, ele vigiava tudo. Em vez de “Deus me vê”, “O vizinho me vê”.
Sexo, repressão e bisbilhotagem. Sharon Stone chorando durante um orgasmo é coisa de nunca mais se esquecer, cala-te boca! Um detalhe curioso: Baldwin pediu para excluir acena em que ele fazia um nu frontal. Mas hoje as locadoras apresentam uma versão sem cortes, com diversas cenas que foram cortadas da telona, mas alto lá! O pudor americano, de ethos protestante, não causa escândalos nem em jardins da infância e educandários para pequerruchos brasileiros.
Baldwin e Sharon Stone
Nesses trópicos, seguindo Freud sem querer, a vida sexual começa cedo, em parte pelo clima, depois pela praia e antes de tudo pelos costumes paradoxais de um país que nasceu sob o signo da Contrarreforma, com ampla hegemonia do Concílio de Trento, mas com padres e demais colonizadores cercados de índios pelados por todos os lados na Ilha de Vera Cruz. Nem mesmo depois de mudado o nome para Santa Cruz ou Brasil, a repressão triunfou. Ao contrário, os franceses perderam a invasão de Portugal, mas logo após a queda de Napoleão, para cá vieram com tudo, principalmente com costumes mais avançados dos que aqueles vazados pelos padrões da época no século XIX!
O roteiro é de Joe Eszterhas. As ações se passam em Manhatan, o celebérrimo território de Nova York. A bela se envolve com a fera, e é desejada também por outro vizinho, Tom Berenguer, um furioso em estado bruto, suspeito número um dos assassinatos que ali ocorrem, escritor complicado e misterioso, com ideias sinistras. Invasão de Privacidade, adaptado do nome original, Sliver, logo estava disponível nas locadoras de vídeo, mas a censura nas salas prescrevia 18 anos, ave!
Sharon Stone e Tom Berenger em “Sliver”
Repressão a gente empacota e vende, devem pensar os produtores. Phillip Noyce, o diretor, deve ter agradado à Paramount, que ganhou um bom dinheiro com aquele filme, ao mesmo tempo comercial e artisticamente muito bem cuidado, com trilha sonora de clássicos da música eletrônica, com destaque para os da banda de roque industrial Young Gods. Sucesso mundial, o filme arrecadou 116 milhões de dólares, uma fortuna para a época.
O cinema, o vídeo e a televisão devem muito à literatura. Invasão de Privacidade retoma em verdade o clássico personagem de George Orwell, Big Brother, figura solar do romance 1984, publicado em 1948! A frase Big Brother is watching you, assim ambígua, pode significar que o Grande Irmão cuida de ti e também o Grande Irmão te vigia.
Mas se antes todos temiam o Big Brother, agora as coisas parecem de ponta-cabeça. Milhões de pessoas buscam olhar – melhor ainda se forem olhadas – os outros, vigiá-los, acompanhar cada pedaço do dia de suas vidas, com câmeras que por enquanto, mas só por enquanto, excluem o banheiro, ainda que, naturalmente, não o chuveiro.
A prova dos nove? Os milhões de telespectadores do programa homônimo da TV Globo, logo imitado por outras emissoras com nomes diferentes, mas sempre com o propósito solar do Big Brother original e do filme Invasão de Privacidade: o voyeurismo. Voyeurs e voyeuses – sim, as mulheres também são multidões no prazer de espiar a vida alheia e talvez tenham antecedido os homens nesse particular.
Salvador Dali: Voyeurs
Vivemos hoje na mídia, ao lado dessa patologia, uma outra de proporções igualmente alarmantes, a da confissão. A mídia, principalmente a televisão e a internet, transformaram-se em gigantescos confessionários.
A peça de madeira que hoje ainda vemos em igrejas e catedrais inclui uma treliça de madeira – talvez o conceito mais próximo do inglês Sliver, título original de Invasão de Privacidade, cujo significado é lasca, tira. Inventado na Idade Média por engenhoso carpinteiro, a pedido de autoridade eclesiástica superior, tinha o fim de evitar que ao confessar-se a pecadora, mesmo sinceramente arrependida dos pecados, principalmente daqueles contra a castidade, se agarrasse ao confessor e daqueles abraços de mútuo conforto entre penitente e confessor nascessem pecados ainda maiores do que aquelesque estavam sendo relatados. A treliça deixava passar a voz, não a imagem dos pecadores que, ajoelhados e contritos, aguardavam a penitência e a absolvição, prometendo nunca mais pecar! Voltavam a pecar, naturalmente, do contrário a próxima safra da igreja ia para as cucuias, mas os ritos não dispensavam três coisas: a confissão, o arrependimento e a promessa de não fazer mais aquilo!
Agora é tudo sem treliça. E se o sujeito quiser o descruzar de pernas sem calcinhas e muito mais, raramente com a elegância da primeira descruzada da diva, agora já caminhando para o acaso da sua estonteante beleza, as ferramentas – não é assim que são chamadas? – estão à disposição na rede.
Há celebridades instantâneas e explícitas, querendo mesmo se mostrar para vender os corpos, como garotas de programas e ofícios de domínio conexo, que há poucos anos se anunciavam como cachorras, potrancas e gatas – afinal temos um passado agropecuário glorioso, um presente igualmente abundante e um futuro promissor para quem põe tudo à venda – e também as implícitas, como aquelas pessoas que vão aos programas de televisão protagonizar os mais escandalosos barracos.
Você troca de canal? Nem eu! São imperdíveis retratos de nossa modernidade. Logo após um suado pastor subir o monte não sei das quantas com um volume enorme às costas, cujo título é Livro da Vida, vem outro anunciar as tribulações anunciadas por profetas furiosos. Aliás, eles adoram a palavra “tribulação” e se fixam no Antigo Testamento, pois o Novo é muito suave para o que objetivam. É preciso ameaçar o povo, não libertá-lo!
Depois disso, nas altas horas principalmente, vem o resto, aquilo que não pôde ser proclamado nos programas matutinos e vespertinos, em meio a receitas culinárias e conselhos matrimoniais.
Que vemos, então? Nos mais contidos, muitas lingeries. Nos mais explícitos, nenhuma!
Mas o que querem elas e eles? Querem apenas rosetar? Não! Agora todos querem se mostrar! E há olhos por todos os cantos, vendo tudo, à frente de ouvidos, que tudo ouvem.
Cesare Pavese
E o cérebro, propriamente? Bem, parodiando Cesare Pavese, o escritor italiano de Lavorare estanca (Trabalhar cansa) que, cansado de combater o fascismo, que o pôs atrás das grades, suicidou-se em Turim aos 42 anos, inconformado e desesperado com os rumos de seu país no após-guerra, pensar também cansa!
Bom mesmo é olhar! E olhar sem que o outro te veja, eis a chave do sucesso dessas permitidas invasões de privacidade.
A porta está aberta. Entre e olhe. Você não será visto! A impunidade está garantida. Será? Já se instalam câmeras em televisores para que sejam avaliadas as reações dos telespectadores. Na maioria deles as reações são as mesmas de uma alface ou de um repolho. Enquanto isso, na mesma sociedade que parece tudo vigiar, como mostram as multas de trânsito, inumeráveis crimes continuam sem solução, ao contrário do que ocorria em Invasão de Privacidade.”
Para outros posts do PROFESSOR DEONÍSIO DA SILVA, Clique :
Deonísio da Silva, escritor e professor, Doutor em Letras pela USP, é Vice-reitor de Extensão da Universidade Estácio de Sá, no Rio. Faz coluna semanal de Etimologia na revista CARAS.
Gil, meu host, e a doce Monica Jacobsen, produtora e distribuidora desta maravilha em forma de queijo de ovelha!
Passei na Delly Gil, depois de um longo e tenebroso inverno, pra dar um “touch of class” no almoço que faria em casa e não resisti à tentação: Gil, alguma novidade? Porque lá, esta pergunta é quase uma obrigação, tal a conexão dele com o mundo gourmet. E não deu outra, lógico que tinha e era tão quente que virou este post…
Vejam que linda as ovelhas da Quinta da Pena!
Trata-se de um queijo tipo “Serra da Estrela”, “Made in Brazil”, mais precisamente na Quinta da Pena, uma encantadora fazenda no “countryside” fluminense, especializada na criação de ovelhas e produção queijos caprinos divinos.
Bandeja de opções…
Portanto, depois de três dias de folia, varie o seu canapé e recupere as energias com estas maravilhas… BN
Este é o carro chefe e o que eu provei e me viciei: DIVINE!