FLORENÇA É FOREVER, PARTE 1!

 

Você já está programada para o próximo carnaval? Pois vou dar uma sugestão nada original mas TUDO DE BOM, que é perfeita pro friozinho europeu de fevereiro, e agrada a todas as idades: Florença, a terra dos Médicis e a capital do renascimento italiano.

As duas vezes que fui à minha cidade italiana preferida, no século XXI, foram inesquecíveis. A primeira, com meu beloved Doc, e depois com minha filha Maria, melhor e mais divertida companheira de viagem. Em ambas, o roteiro cultural foi, basicamente, o mesmo e sempre com um guia, por quatro horas diárias, ou metade da viagem vai ser gasta nas filas quilométricas, diante dos lugares a serem visitados. Noves fora o que se aprende com esses bons profissionais, por mais que você esteja repetindo a programação. Ah, e nem pensar em economia boba e dispensar este serviço fundamental ( se ele estive ao seu alcance), somente pra comprar mais uma bolsinha…

Florença é das raras cidades, da face da terra, aonde quase tudo que foi feito para ela ainda permanece em seu devido lugar, guardando a proporção e a ambientação que o artista observou, quando criava. Graças à família Médicis, que a enfeitou com o melhor da arte do Quatrocento e da Renascença Italiana e em particular à Maria, também Médicis, sua última descendente, que efetivou a doação deste tesouro único para a sua amada cidade natal, salvando-o de ser disperso pelos museus bombados do mundo.

Assim, Donatello, Leonardo, Michelangelo e Rafael, as tartarugas Ninjas e cia, permaneceram juntinhos e cantam, até hoje, as glórias de Florença!

Comece seu passeio alugando uma charrete e dê um rolé pela cidade: é de tirar o fôlego! E depois, perambule mais um pouquinho, se perdendo por suas ruas e se encontrando em uma nova praça ou se estarrecendo com a Ponte Vecchio ou com a Piazza della Signoria. Leve o susto que eu levei quando vi, pela primeira vez, a fachada listrada e tricolor, da Igreja de Santa Maria del Fiore, e no final, se deleite com um belo de um corneto, va bene?

Flanação cumprida, vamos aos interiores dos prédios. Pra isso, vou enumerar meu “Top 10” florentino, pecado mortal sair de lá sem ver, pelo menos, este basicão!

1- A Catedral de Santa Maria del Fiore e seu emblemático Duomo, de Brunelleschi! 2- O Batistério e seus famosos portões de bronze. 3- O Convento di San Marco e os afrescos geniais de Fra Angelico, pintados nas paredes do convento e dos seus dormitórios, AMOOOOOOOO! Esta visita é by appointment!

O maravilhoso afresco da Anunciação, de Fra Angelico, pintado na cela dormitório número 31!

4- A Galleria dell’Accademia e as figuras de Michelangelo se libertando para sair dos blocos de pedra, mais o famosos Davi, também do grande mestre!

"Un Prigione", de Michelangelo!

5- O Museo dell’Opera del Duomo e os frisos de Donatello, esculpidos em mármore, onde você tem a sensação de crianças correndo tal a perfeição, mais outros igualmente lindos e de Luca della Robbia. Adiante, tem a impressionante Maddalena, do mesmo e gênio Donatello, minha escultura favorita: quatrocentos anos antes, ela preconizou o expressionismo! Sem falar da famosa Pietà, de Michelangelo e o “Portão do Paraíso” ( as 10 placas originais), de Ghiberti e do Batistério! Tudo isto, num único lugar! Que cidade…

SEM PALAVRAS!

6- O Museu do Bargello e a coleção das mais belas esculturas renascentistas da Itália! Enquanto enumero estas maravilhas, bendigo o nome dos Médicis…

O Davi, de Donatello, já triunfante, depois de ter matado o Golias! Bom pra compararmos com o de Michelangelo, que esculpiu o seu, antes do famoso duelo!

7- A Galeri Uffizi, maior museu de arte da Itália, seus Botticellis de tirar nosso rumo, mais tudo de lindo que a renascença pintou! Esta visita também é by appointment.

O Nascimento da Vênus, de Sandro Botticelli, pontifica numa de suas salas!

8- Capella Brancacci, na Igreja de Santa Maria Carmine, e os afrescos da  “Vida de São Pedro”, de Masaccio! UOW, o que são eles? Também, by appointment.

Adão e Eva, expulsos do paraíso, antes e depois do restauro por que ela passou!

9- Palazzo Vecchio, que pontifica e enaltece a Piazza della Signoria, compondo com ela, o coração da cidade: Pare à sua frente, rode 360 graus apreciando cada detalhe, faça uma visita a seus domínios e se imagine no lugar mais poderoso e elegante da renascença!

O Palazzo Vecchio, muitíssimo bem guardado por uma cópia do Davi, de Michelangelo!

10- Igreja de San Lorenzo, pois não podemos deixar a cidade sem ver um dos prédios da família Médicis. Vale por todas as maravilhas artísticas que a enfeitam, mas também é emocionante saber que os mecenas mais incríveis do ocidente, repousam neste berço esplêndido!

Como tão bem argumentou meu amado Marcel Proust, a arte é o único meio de permanência… E é ela quem sustenta e enaltece a Florença dos Médicis, para o forever and ever, amén! BN

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17 ideias sobre “FLORENÇA É FOREVER, PARTE 1!

  1. Morei em Florenca qdo. pequena (pai diplomata) …cada vez q. volto fico na maior alegria! Uma cidade impar, charmosa, unica para quem gosta de apreciar o belo!
    E, adorei voltar virtualmente lendo teu post! Belo fim de tarde! Grazie!

      • Curiosa para saber qtos post Firenze vai ter….se esse Post eh a parte 1 pelo menos mais um….oba! rsrsr E, seria mto. aplaudido um post sobre a deslumbrante Toscana!

        • Bebel, Florença tem além dessa belíssima carga histórica e tantas maravilhas que a cada vez que vemos, nos encantam, uma nova atração. O Hotel Four Seasons Firenza, localizado num dos Palazzo Medici, merece ser visitado, mesmo por quem não vai se hospedar. Jardins onde Napoleão passeou, com aquele cheiro de mandarinas, afrescos, capela, um spa extraordinário, enfim, algo mais a ser visto.
          bjs

          • Oi amada, que bom te ver por aqui! Que Hotel divino! Vou acrescentar sua sugestão, quando fizer meu Top11! Bjs carinhosos!

  2. Segundo a UNESCO 60% das obras de arte produzidas pela humanidade estão na Itália, sendo que 30% delas só em Florença. Excelente post – o blog só melhora. Parabéns!

  3. Bebel,, Florença já me deixou ‘ doente” de tanta beleza de tanta arte. Florença me fez perder e me perder do roteiro e ficar por la vagando por semanas 9 e ainda carreguei minha mãe junto que andou a cidade inteira com mais de 70 anos! Florença deu de presente uma viagem de retorno em um conto que mistura ficção e história que escrevi ha quase 20 anos e que deixo aqui para vc. Use como e se quiser. Beijos e obrigada.

    Uma “vecchia” história sobre Florença.

    Minha primeira visão de Florença, data daqueles agitados tempos de 1429. Era ainda uma menina, e acabara de chegar a cidade com meus pais, artistas populares de Roma, quase mendigos, andarilhos que como tantos outros, compartilhavam o pão, as histórias e lendas sobre a capital do renascimento italiano.
    Desde o início do domínio dos Medici, em toda região da Toscana, não se falava em outra coisa, que da famosa basílica, toda calculada em “uma tal”de harmonia geométrica e de extraordinária luminosidade. Os nomes de Donatello, Michellozo e Brunelleschi eram repetidos de boca em boca, com admiração e assombro. O de Juan de Medicci, com tal temor que beirava a histeria.
    Quando lá chegamos, já seu corpo não mais existia. Fora recentemente enterrado na sacristia da Catedral, ainda não totalmente terminada, mas que Cosimo, seu filho e herdeiro, um apaixonado das edificações tratava de patrocinar. Era comentário geral uma de suas famosas frases. – “Os monumentos são importantes pois durarão uma centena de anos para a glória de quem os construir.” E a cidade fervilhava.
    Eram as reformas no Palácio Vecchio, O Salão dos 500, e a cúpula de Santa Maria del Fiori, desde onde a Divina Comédia, em tinta e gesso, resplandecia. O povo, os viajantes assistiam a tudo deliciados. Curiosidade e admiração por tanta ousadia.
    Intrigas, inveja conspirações de poderosos oponentes que chamavam Cosimo de mercador e herege, não conseguiam mais do que arrancar gargalhadas e provocar hilariantes comédias sempre encenadas ao entardecer perto da praça central.
    A habilidade política deste governante era tal, que não só sufocava e exterminava seus oponentes como mantinha toda a turba florentina respeitosa. Comentava-se é claro, que quantias fabulosas eram gastas, mas a cidade, tão antiga quanto orgulhosa de suas famílias descendentes de troianos, etruscos e romanos, transformava-se pouco a pouco na mais bela ode ao esplendor do humano, ha tempos perdido nos negros anos da Idade Média.
    Transformara-me em uma bela mulher neste ambiente fervilhante. Provavelmente seria considerada uma bruxa em qualquer outro lugar, mas aqui estava em seu próprio centro, e agradecia ao Todo Poderoso, por viver tão próxima daqueles que amavam a vida e a celebravam em tão estupendos monumentos.
    Os afrescos de Ghirlandaio, misturavam personagens florentinos e santos para o escândalo dos conservadores. Lembro bem, lá pelos idos de 1438, a chegada de Domenico Veneziano, prometendo maravilhas que não temeriam a comparação com os belos trabalhos de Lippi e Angélico.
    Já não mais existia Cosimo. Era o tempo de Pedro de Medici. Tampouco existiam mais meus pais e a infância miserável fora totalmente esquecida. Um nobre como marido, experto e sagaz, introduzira-me nas intrigas e delicias da corte. Mais cauteloso, mais diplomata, Pedro manejava a política local com extrema destreza, mas nem por isto, deixava de apoiar novas e interessantes idéias. O mercado sobre o Ponte Vecchio ganhara novos contornos.
    Depois de Pedro, de seu curto período, foi a vez de Lorenzo. Lorenzo o Magnífico. Um príncipe violento e apaixonado pela conquista e pelas artes. Amante da vida contava entre suas virtudes um grande amor pela transgressão. – “Quem quiser ser feliz, que o seja hoje pois do amanhã nunca teremos certeza.”
    – HEREGE! Como ousar falar em felicidade imediata! Mereces a excomunhão. – bradavam os invejosos do clero Romano.
    Mas para ele, como importar-se? Como, se aquela era sua cidade, e para ela vinham de bolsos vazios e cabeças repletas de idéias, poetas, pintores, escultores e tantos mais…
    Da Vinci celebrou-lhe a bela Lucrecia Donatti em sua “Dama com Ramalhete”, Pollaiolo arrancava-lhe entusiasmados versos com seu “Hércules e Anteu” e Boticelli o retratara em “Palas e o Centauro”. Todos os principais artistas da segunda metade do século XV dependeram de seu mecenato.
    Tornara-me uma matrona esperta, amiga dos jovens artistas que continuavam a chegar, como se por um desconhecido motivo estivesse determinado pelos deuses da antigüidade, ser Florença a portadora dos mistérios de nossa origem pagã.
    Artistas católicos, como determinavam os tempos, que pintavam e erguiam monumentos a sua fé, sem dar-se conta que estavam a despertar os mitos.
    Na Loggia di la Signoria, com seu estilo gótico, ressurgiam Perseu, Menelau, O Rapto das Sabinas. A mais pura arte helênica. E a cidade tornava-se tão bela quanto a mais bela visão do paraíso. Quase uma blasfêmia.
    E dentre tantos sonhadores, havia Michelangelo. Meu brilhante e atormentado protegido. Amara-o ,desde que aturdido pelas brigas do Vaticano , refugiara-se em Florença. Quase cega, eu a mais velha e respeitada anciã da cidade, chorei ao vê-lo dar vida ao mármore com seu David.
    Centenária, quase uma relíquia a mais desta cidade, fechei meus olhos para aquele século de glórias.
    Hoje, vocês que visitam Florença, por certo nunca ouviram falar neste personagem, “LaVecchia”, que deixou seu testemunho guardado, nem sei por quantas gerações, em seus escritos um tanto confusos e que aqui tento reproduzir. Mas com certeza, ao andarem pela cidade, se observarem as pessoas que caminham ou passam em suas “Vespas”, terão a sensação de que todas lhes parecerão levemente familiares. Assim como se reproduzissem de alguma maneira seus antepassados, recém vistos em uma visita a galeria Uffizi.
    Não que exista qualquer lógica nesta afirmação. Mas bem será um certo olhar que vaga entre o nostálgico e o insolente, um certo ar sóbrio e elegante que lhes exigirá uma observação mais demorada , que lhes inspirará um certo respeito, pois os fará compreender
    o milagre de beleza e harmonia que paira sobre esta cidade, onde mais do que os monumentos, sobreviveu aos séculos a genialidade de tantos que foram capazes de sonhar, e sonhando humanizar o Divino eternizando-o no homem.

    La Vecchia VIII

    Sheyla Souza Costa – 1992

  4. Florença é deslumbrante! Também minha cidade preferida na Itália. Descobri um hotelzinho fantástico e charmozérrimo. Chama-se “Antica Torre de la Via Turonabuoni”. Um palazzo do século 13º. Fica na famosa via Turonabuoni, na esquina oposta ao Palazzo Ferragamo, em frente à Ponte de la Trinitá. O lugar não pode ser mais estratégico. São pouquíssimos quartos, no penúltimo andar da torre. Não tem portaria (apenas uma mínima recepção) . Vc ganha uma chave ENORME do portão principal. Quase todos os quartos têm uma vista deslumbrante. O meu tinha até varandinha. Mas o ponto alto desse hotelzinho de charme, é o terraço na cobertura. Lá tem sala de estar toda envidraçada, para ler o jornal após o café-da-manhã, com um “honesty bar”. Vc se serve e anota o que consumiu. Esta sala dá para um varandão, com meses e ombrelones, e de lá tem-se uma visão 360º de Florença. Como eu fui no verão, nosso programa predileto era subir para a varanda às 20:00 e esperar o por do sol (lá pelas 22:00). O céu vai ficando alaranjado, assim como todos os telhados e duomos. Um espetáculo INESQUECÍVEL e priceless!!!
    Aí vai o link do hotel: http://www.tornabuoni1.com/site/en/index.php
    Para quem gosta de viajar com charme, esse é indicutivelmente um dos melhores lugares!

  5. Oi Bebel, adorei ler seu relato sobre florenca!!
    Realmente e uma cidade de tirar o folego,
    amei! E fique nesse hotel que a Cristina Magalhaes esta indicando, o Antiga Torre de la Tornabuoni, e um charme, a localizacao e maravihosa e tem uma vista deslumbrante do restautante que e na corbertura. Vale muito a indicacao. Bjs, Lucia.

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