Esta mancha verde chama-se é Vuelta Abajo: eis a “Côte d’Or dos charutos!
Hoje é Dia dos Pais: parabéns para todos os homens maravilhosos que fazem de seus filhos a grande alegria de viver… Para homenagea-los, nada melhor que um assunto que talvez os agrade, deixando a ressalva: “o Ministério da Saúde adverte que fumar não está com nada”.
Continuando meu périplo por Cuba, a maior surpresa foi conhecer o fascinante Mundodo Habano, preciosidade única e exclusiva destas bandas. Vuelta vai Havana vem, editei os erros e acertos destas minhas andanças e consegui montar, pra vocês, um roteiro didático e cronológico da gênesis do melhor charuto da face da terra.
Charuto, pra mim, era um sujeito “quase” que indeterminado, até conhecer sua fascinante história…
Até então, eles eram pra mim acessório de pessoas sofisticadas, normalmente do sexo masculino e “acháveis” na filial carioca do Esch Café. Jamais havia parado pra pensar no universo que gira, freneticamente, por trás da caixa de madeira que carrega os mais famosos filhos consumíveis da Ilha: a sua intrínseca cadeia de produção, a excelência dos ítens que participam da confecção, a perícia dos numerosos artesãos que contribuem para sua grandeza. São números impressionantes em quantidade e qualidade.
Demi Moore é uma das lindas adeptas do culto ao charuto!
Aconselho, a quem tiver interesse, a leitura agradabilíssima do livro “El Mundo Del Habano”, é um belo começo de aprendizado. Não é à toa que personalidades do quilate de Winston Churchill, George Washington, John Kennedy, Marlene Dietrich, Michael Jordan, Getulio Vargas, entre outros, não passavam sem um.
Como os vinhos, o charuto tem várias etapas de produção… Aqui a secagem das folhas!
Descobri também que vinho e charuto, apesar das distâncias geográficas e físicas, são primos legítimos, como dizem no nordeste. Por isso, repito o título deste post: o Habano é o “premier grand cru classé” dos charutos. Assim, ambos devem sua distinção a um misto de circunstâncias geo-climáticas únicas chamadas “terroir”; são fruto de blend ou mistura; têm plantio, safra e colheita anual em data certa. Passam, igualmente, pelo processo de fermentação (o tabaco por mais de uma) e envelhecimento, onde ambos descansam por x anos até estarem aptos a serem “embalado” para consumo. E o mais incrível, carregam necessariamente a sigla D.O. C. Ah, sabe qual o nome do especialista em charutos: “habanosommelier”, bien sûre!
Plantação de tabaco em Vuelta Abajo!
ALGUNS DETALHES:
– O ciclo do charuto dura de novembro a fevereiro, da semeadura à colheita. Portanto, quem for aproveitar o roteiro abaixo, tem que estar por lá neste período.
– Para melhor situar a importância deste passeio, comparo: Pinar del Río está para o charuto como a região de Borgogne, na França, está para o vinho. E Vuelta Abajo (a mancha sagrada de onde brotam as melhores e únicas folhas admitidas na confecção dos Habanos) é a Côte d’Or dos charutos;
– Nas fincas plantam e processam as folhas de tabaco que saem devidamente tratadas e embaladas para a confecção dos habanos. Como contei, os charutos também têm safras, por conta das variações climáticas e quem julga e classifica este resultado é o governo cubano, que distribui as folhas para esta ou aquela fábrica, de acordo com a qualidade que alcançaram;
-Todos os charutos são feitos com folhas de uma única planta. Só que estas sofrem variações devido à localização no caule por conta da insolação. Por exemplo, as mais altas são as Corona, que ficam mais expostas ao sol e por isso têm mais fortaleza e sabor;
– As folhas são cultivadas de duas formas, pela necessidade. Em estufas, “tabaco tapado”, para fazer as capas dos charutos, e a céu aberto, “tabaco de sol”, para a tripa e capote do charuto.
– O que distingue uma marca de charuto da outra é como suas folhas foram mixadas, isto é, seu blend.
PASSEIO DEL HABANO:
– Agora, vamos passear…
Vale a pena reservar um dia inteirinho de sua viagem para cumprir o trajeto do charuto, seu universo é lindo e fascinante. Para tanto, aconselho deixar Havana em direção à Vuelta Abajo, às 8 da manhã acompanhado de um farnel que substitua o sacrossanto almoço: hoje ele não vai rolar. O percurso dura umas 2 horas e meia. Chegando lá…
– Primeira Parada: Visita à Finca Robaina
– A “finca” ou fazenda produz, trata e armazena as folhas dos Habanos. Existem duas que valem a pena a visita pois estão estruturadas para receber os turistas e lhes mostrar todo processo: Finca Robaina ou Finca de Monterrey
Finca Robaina: luxo só!
– Fui, com minha família, à espetacular “Finca Robaina” cujo dono, Hirochi Robaina, considerado o rei do tabaco, é seu maior e melhor produtor. Pra se ter uma idéia, além de Cuba, ele possui fazendas em Santo Domingo e até em Las Vegas, nos Estados Unidos, onde produz um charuto mais popular.
Nosso guia, na Finca Robaina: explica e mostra o passo a passo!
Ganhamos um habano feito na hora por este elegante senhor!
– Chegamos, com visita marcada previamente, e fomos recebidos por um funcionário poliglota que mostrou-nos o passo a passo da primeira etapa do elaborado processo de produção dos habanos: a que acontece na finca. Incluído aí o plantio, colheita, secagem, fermentações e envelhecimento das folhas de tabaco. Acompanhamos, ao vivo e a cores, cada uma destas etapas, tiramos nossas dúvidas e coroando o passeio, vimos um charuto ser enrolado: luxo só!
Esta visita dura cerca de uma hora: voltemos à Havana.
Com Hirochi Robaina, o rei do tabaco… Ele está na foto ao fundo propagando a qualidade de seus habanos …
– Segunda Parada: Fábrica de Charuto:”
– Chegou a hora de visitar as emblemáticas fábricas de habanos, a maior parte localizadas em enormes casarões em Havana, programa único: fomos à da Partagas.
Esta é a fábrica da Partagas…
Com minhas adoradas “Isabéis”, Niemeyer & TM, mais a guia que nos mostrou a fabrica Partagas!
– Antes de começar o tour, cada grupo é recebido por um guia que conta a história dos habanos e seu processo de fabricação. Depois, nos leva para conhecer (quase) todas as dependências, avisando: é proibido qualquer tipo de registro. Imagens, só as oficiais. Dá uma vontade de fotografar…
Não disse que dá uma vontade de fotografar irresistível …
– Passeamos por salas e mais salas, repletas de homens e mulheres de qualquer idade, que passam o dia confeccionando os charutos, inteiramente à mão. Nenhuma máquina é capaz de copiá-los, são chamados “los torcedores”. O pitoresco; são embalados por um som altíssimo que reproduz o último “hit” de música pop, o mesma que ouvimos em nossos rádios por aqui. É muito impressionante!
(Amigos contaram que no passado, passavam o dia ouvindo os discursos de Fidel Castro)
– Terceira Parada: Pondo em prática…
Entrada para “Casa dos Habanos”.
– Quando chegar a este ponto do dia, vai bater um certo cansaço… Nada melhor, então, para coroa-lo, do que ir à “Casa dos Habanos”, em frente ao Porto, em Havana Velha. Compra aí o habano de sua preferência e sente-se no cafe do lado de fora, peça uma taça de rum e a maravilhosa companhia do sommelier local: ele vai te dar uma aula super interessante de como lidar com a jóia da coroa cubana. Uma vez só não faz mal, é cultural! BN
Com Walter Rodrigues Neto, o brasileiro que é o campeão mundial “habanosommelier” de 2015: craque!
Uma das gratas surpresas, em Cuba, foi descobrir que seus restaurantes são bastante bons. Instalados, na maioria, nos lugares mais charmosos e inusitados, serviço beirando a perfeição (garçons com escolaridade universitária), apesar da grande dificuldade com ingredientes e bebidas por conta do embargo, conseguem sair-se bastante bem no quesito comida: por lá o cardápio caseiro reina. Principalmente se lembrarmos a total falta de conexão com o criativo e tecnológico mundo da alta gastronomia, estas modernidades ainda não bateram na porta da Ilha. E, pra ser sincera, gostei muito de tirar férias das espumas,” leitos” de purês, caviar de legumes e toda esta “gastronomenklatura” que nos encanta mas também pode entediar, quando passam dos limites.
Com o Embaixador do Brasil em Cuba, o querido amigo Cesario Melloantonio, que nos deu preciosas dicas como a do sofisticado Café do Oriente!
Por muito tempo, o regime político fez de Cuba um país incomunicável; ia-se à Ilha por questões emergenciais e com explícita autorização. Com a crise russa dos anos 1990, que implicou na suspensão da ajuda soviética ao país, o turismo recomeça por necessidade de sobrevivência e da estaca zero, seguindo a estrada do improviso. Na sequência, surgiram os “Paladares” que até hoje bombam por lá e mesmo mudados, continuam significando “restaurante à cubana”. Inicialmente, eram residências que abriram suas portas para servir refeições aos interessados, com cinco ou seis mesas, espécie de refeitório público/privado, instalados nas casas. Pelo estilo de tratar o cliente, como se estivessem em casa, virou um “lugar conceito” e inspiração permanente. Hoje, pelo que entendi, a maioria é estabelecimento comercial privado, no formato de restaurante, sendo que este percurso gerou um interessante circuito gastronômico. Conto, a seguir, por onde passamos.
RESTAURANTES EM HAVANA:
– CAFÉ DO ORIENTE:
Localizado na linda Praça de São Francisco, em Havana Velha, jantamos aí em nossa primeira saída em Havana, por sugestão do querido Embaixador Cesario Melloantonio, que nos deu a honra de sua companhia. Restaurante tradicional, sua decoração européia impressiona com pinturas antigas, espelhos e muita luz de vela. A comida é gostosa e os frutos do mar são a especialidade da casa. Pedi um peixe que estava divino.
Especialidade do Café do Oriente!
– PALADAR DOÑA EUTIMIA:
Instalado num sobrado de dois andares escondido no final de uma ruela que sai da Praça da Catedral, Havana Velha, este é um dos lugares mais disputados para se comer na cidade. Portanto, reservar é imprescindível. Super aconchegante e charmoso, a comida do Doña Eutimia é super saborosa e caseira. Amei os croquetes, o peixe com arroz e feijão no capricho e a goiabada com queijo da sobremesa sortida… Me lembrou muito um lugar que conheço chamado Brasil!
A começar pelo cardápio, no Doña Eutimia tudo é very cool”!
Close no “mojito” da casa: famoso!
– IVAN, EL CHEF JUSTO: Localizado no segundo andar de num pequeno prédio centenário, em frente ao Museu da Revolução, este restaurante de comida mediterrânea estilizada é uma verdadeira delícia. Ivan é considerado o chef mais cool do país e jamais esquecerei seu ravioli de siri…
A charmosa entrada…
Ivan em ação!
– LA GUARIDA: Pelo conjunto da obra, elegi este o meu restaurante preferido em Cuba. Só sua dramática entrada, num prédio antigo na parte central da cidade, já é um acontecimento. Instalado no último andar da deslumbrante “La Mansion Camagüey”, hoje funcionando como uma espécie de cortiço, a primeira impressão do La Guarida é arrebatadora: subimos seus três andares por uma escada deslumbrante à meia luz, que dá um efeito emocional arrebatador. No percurso, vamos conhecendo alguns dos moradores que enterrarem suas portas, misteriosos, para dar uma olhadinha. Me senti personagem de “Morangos com Chocolate” filmado aí.
Primeira visão do prédio: apaixonei!
Chegando ao Paraíso o ambiente é tão espetacular, que duvidei não estar em Nova York. Chiquérrimo, “very cool”, requintado, lindo… É ilimitado o rol de adjetivos para classificá-lo. Por isso, pulemos pra comida que é divina, tipo cubana moderna, a carta de vinhos a melhor da cidade (proeza, em se tratando de Cuba) e a lasanha de frutos do mar é “unforgettable”, como diria Nat King Cole…
Enquanto eu subia…
– LE CHANSONIER:
Passamos por sua porta 2 vezes e quase desistimos já que achar o lindo casarão construído em 1860 e que abriga o restaurante, é missão semi impossível. Caso tenha sucesso, tudo é perdoado tal a beleza do look contemporâneo de seu interior, a categoria do serviço e a qualidade do “sound track” que embala o ambiente mágico. Tomei uma sopa de caranguejo dos deuses e do chef Enrique e depois, um frango com molho de tamarindo divino, inolvidable!
Quase não achamos o endereço… Não é linda a fachada?!
Por dentro…
– EL COCHINERO:
Lindo é o mínimo que podemos dizer do prédio onde fica o restaurante mais alegre que fomos em Cuba. Pé direito gigantesco que obriga a passarmos por uma prova física de resistência até estarmos devidamente instalados em seus lindos domínios, o Cochinero abriga em seu segundo andar um simpatissíssimo restaurante, que começa numa sala e esparrama por um pátio/pomar delicioso. Mas deixe a preguiça de lado e rume pro último andar onde chegará às cercanias do céu. Te esperando há o mais lindo terraço, arrumado como “lounge”, vista capotante da cidade e uma maneira de ser caseira que dá vontade de mudar… Pra lá, é claro. Um barzão funciona a todo vapor produzindo os mais variados drinks combinados com tapas divinos à sevilhana. Luxo só. Noves fora maravilhosa música ao vivo e a cores que te faz pensar estar … Heaven, I’m in heaven, and my heart beata so that I can hardly speak…”
Eis o lindo prédio do “El Cochinero”…
Close em seu famoso terraço com música ao vivo: melhor happy hour!
– LA ESPERANZA: Nada mais charmoso do que este restaurante aconchegado, há 19 anos, numa deliciosa casa quase à beira mar, com atmosfera inglesa, jardim encantador e Hubert, seu elegante proprietário, que entende de música e comida como poucos na Ilha. Comi um frango no mel inesquecível!!!
Vejam que lugar charmoso…
Outro visual do Esperanza…
RESTAURANTES FORA DE HAVANA: (Sempre em função de um belo passeio)
– CAFE AJIACO: Muito simpático e acolhedor, o Ajiaco além de salvar a todos os fãs de Hemingway famintos depois de homenagear o ídolo (ele fica em Cojimar, a 10 minutos da casa do escritor ou a 50 minutos do hotel em Havana…), é também uma bela escolha por seus próprios méritos. Os frutos do mar por aí são de primeiríssima e feitos com todo esmero. Quem conhece o Clube Marimbás, sabe do que estou falando!
A simpática casa do Café Ajiaco… Peixe fresquinho e delicioso!
O ex presidente FHC, ilustre cliente do Cafe Ajiaco, com as lindas “Isabeis”, TM & Niemeyer!
– RESTAURANTE XANADU: O hotel Xanadu, em Varadero, ocupa a maravilhosa ex casa da família Dupont, expoente industrial no país, antes da revolução e é, sem dúvida, o mais concorrido do país (reservas, só com 2 anos de antecedência). A casa é histórica e ainda hoje preserva parte do look original, além da beleza do entorno que é composto por uma praia linda e campo de golfe, ambos da propriedade. Por isso, uma deliciosa maneira de conhece-lo é ir almoçar ou jantar por lá.
Detalhe de um dos salões do Xanadu: casa emblemática!
– RESTAURANTE CASA DI DON TOMÁS: Foi onde almoçamos quando fomos à Vuelta Abajo visitar a fazenda produtora de tabaco. A comida caseira é bastante honesta mas o “high light” do pedaço é a linda casa do final do século XIX onde o restaurante está instalado, referência na arquitetura cubana.
Um pedacinho da fachada da “Casa di Don Tomás: casa centenária, orgulho na região!
Estive em Praga o mês passado, e fiquei encantada com o Monastério de Loreta que é um dos mais importantes centros de peregrinação da Republica Tcheca. Ele foi construído ao redor da replica da Casa da Virgem Maria (a verdadeira está em Loreto na Italia) e a construção começou em 1626.
Casa de Maria no centro do Mosteiro de Loreta.
A coleção de ostensório é extraordinária.
Só para lembrar : Ostensório, ou custódia, é uma peça de ourivesaria usada em atos de culto da Igreja Católica Apostólica Romana para expor solenemente a hóstia consagrada sobre o altar ou para a transportar solenemente em procissão.
Estes eu fotografei dentro do pequeno museu de objetos litúrgicos do monastério e são peças únicas. Vejam se não é uma beleza esta coleção…
MP
Patio interno do monastério em frente a Casa de Maria.
Nunca imaginei visitar Cuba, tantos os roteiros mundo afora e tão curta a vida… Que bobagem, fui surpreendida por uma das melhores viagens ever!
Tudo começou num almoço, quando o filho da vez a escolher nosso destino era Isabel TM, a caçula. África vai Israel vem, acabamos batendo o martelo: a Ilha. Era começo de dezembro e, no meio de caloroso debate, Maria TM lança um argumento insólito pra época: “Vamos antes que acabe”… Parecia premonição pois 15 dias depois (nós já com as passagens na mão, ufaaaa) o Presidente Obama declara para, muito em breve, o “desembargo” à Cuba. Assim, nossa ida que era meramente turística virou quase jornalística e voltamos com a leve sensação de observadores da história…
Minha primeira imagem da Ilha: o aeroporto de Havana. Achei graça ao ler “VIP” numa das filas de imigração e ser recebida por este anúncio de cigarros made in USA!
Desembarcamos por lá, de noite e na noite dos tempos, com um minucioso roteiro montado por mim (parte diurna/cultural) + Maria TM (parte noturna). Ela é nossa “personal concierge”, craque na escolha de restaurantes, hotéis e cia) e a benção dos amigos de uma vida, Alice e Bob Medici (contato no final deste post), agentes divinos de viagem, que há anos transformam nossos delírios turísticos em doces realidades: eles fazem toda a diferença!
Conto, a seguir, um roteiro enxuto de cinco dias, baseado no nosso (ficamos nove dias, sem contar a chegada e a saída) que editei em seus percalços, já que os cubanos são um povo encantador e solícito mas, por enquanto, inteiramente crú no quesito turismo. A favor deles, têm uma vontade louca de acertar. Por isso, acatam as mudanças de percursos imediatamente, com toda presteza! E eu fiz algumas fundamentais…
O lindo Capitólio cubano, na entrada de Havana Velha.
DIA 1: HAVANA CITY TOUR
Se estiver tempo bom, alugue um daqueles lindos carros antigos e conversíveis que ficam esperando na porta dos hotéis ou em pontos centrais de Havana, e dê um “rolé” pra se ambientar na cidade (chuvendo, vai de taxi como Angélica: só é menos romântico…).
Melhor meio de transporte para o primeiro passeio por Havana: um de seus maravilhosos carros vintage e de preferência um Cadillac, rabo de peixe “bien sûre”!
Acertada a locomoção, peça pro motorista descer a via costeira, pegar a “QuintaAvenida” (é este o nome, Globo e você, tudo a ver…) e seguir pelo setor dos casarões maravilhosos de antes da Revolução (acho que é a Rua 146 ) que hoje viraram embaixadas, casa de empresas ou de alguns raros felizardos. Fiquei boquiaberta…
Visual do lindo Bosque de Havana!
Depois, atravesse o deslumbrante Bosque de Havana e termine o passeio em HavanaVelha (contando o trajeto mais as paradas obrigatórias para fotos e cia, esta programação dura 2 horas).
Daí, siga pra conhecer esta parte encantadora da cidade a pé, de preferência com um guia.
Na hora da fome, almoce no La Floridita onde Hemingway e amigos tomavam daiquiri. É lugar de turista, mas afinal o que somos nós? Sente na parte da frente, onde servem uns sanduíches gostosos. O restaurante é vago.
Com Hemingway, no bar do La Floridita!
Depois do almoço, perca-se mais um pouquinho por esta parte encantadora da cidade. A cada esquina uma surpresa e, muitas vezes, cantante!
DIA 2: HAVANA HAVANA VELHA E MUSEUS
Continue passeando pela cidade antiga, é divina! Já que a esta altura está ambientado, siga o roteiro tradicional e visite as 4 praças (Praça Central, Praça das Armas, Praça da Catedral e Praça Velha) que se interligam, formando o Centro histórico.
Percorrido este lindo trajeto, rume para os museus: são poucos, mas dizem muito sobre a cultura local.
A linda Catedral de Havana que fica em uma das quatro praças icônicas da cidade!
Os que mais gostei: – Museu da Revolução: apesar de parecer uma coletânea de trabalho colegial, é emocionante ver o passo a passo da revolução de maneira singela, com documentação baseada apenas em muitos recortes de jornal e fotografias. Já que estamos na Ilha… – Museu de Belas Artes: a parte de arte cubana é simplesmente um show! – Museu de Artes Decorativas: era a casa de uma senhora da elite pré Castro e continua arrumada (mais ou menos) como ela deixou, tipo Frick Collection local. Dos poucos lugares que retratam a vida na era Batista em seu apogeu.
A linda faixada do Museu de Artes Decorativas!
– Museu Napoleônico: se tiver tempo e interesse é pitoresco, pois é o segundo maior acervo do mundo sobre o assunto…
Escultura no Museu Revolucionário…
– Roubada master: Museu do rhum.
Quando terminar o estirão cultural, passe na Bodeguita del Medio e tome seu famoso mojito!
DIA 3: COJIMAR CASA DE HEMINGWAY E ARREDORES.
O escritor norte-americano Ernest Hemingway morou na Ilha por um bom tempo, no final de sua vida, e é uma de suas principais atrações. Depois de passar algum tempo num quarto de hotel, mudou-se para a charmosa “Finca la Vigía”, em San Francisco de Paula, na periferia de Havana. Vale muito a pena visitar a casa, está como se ele tivesse saído pra dar uma volta. Seu jardim é delicioso, peças importantes de sua história permaneceram por lá, até emociona.
A linda “Finca la Vigia”, reduto de Ernest Hemingway na Ilha!
Na sequência, dê um pulo à vizinha Cojimar e passeie pela via costeira, que é uma graça. Cheia dos barezinhos outrora frequentado pelo escritor, hoje disputam quem tem o melhor acervo de relíquias por ele deixado. Outro detalhe encantador: num rochedo no canto desta praia que “O Velho e o Mar” foi concebido e é maravilhoso contemplar a fonte de inspiração de um grande mestre… Vai que existe “osmose literária”.
A via costeira de Cojimar, inspiração para “O Velho Homem e o Mar”!
A seguir, almoce no Café Ajiaco, muito simpático. Tem que reservar pois é lotado.
Voltando, ainda sobra um resto de tarde. Aproveite pra ver o famoso pôr-do-sol cubano do morro de Havana Velha. Espetáculo único.
DIA 4: VALE DEL VIÑALES & PINAR DEL RIO & HAVANA CHARUTOS & BELEZAS NATURAIS
Inventamos um “Passeio Temático” pra conhecer uma das estrelas do país, os preciosos “habanos”. Achei tão incrível sua história que reservei um post inteirinho pra ele, apesar de não fumar e nem nunca ter-me interessado pelo assunto. Mas os charutos estão para Cuba como o vinho para França e contextualizado, é igualmente fascinante. Por ora, dou somente as informações básicas e me aprofundarei mais adiante.
Voltando ao roteiro, para que este dia renda segundo sua necessidade, saia de Havana às 8 da manhã levando um farnel com sanduíche pra driblar o almoço, hoje não terá tempo.
Seu destino é o Vale del Viñales, a oeste da Ilha e duas horas de distância da capital. Chegando, vá direto às atrações naturais: visão panorâmica do Valle, que é bem pitoresca, e passeio por uma de suas lindas grutas, com direito a navegar pelo Rio São Vicente.
As grutas de Valle del Viñales são deslumbrantes!
Finda a parte “aquática” do passeio, rume para Piñar de Rio, mais precisamente à “Vuelta Abajo” onde fica a “Côte d’Or” dos charutos, pra conhecer uma de suas fincas (nome dado às fazendas cubanas), que produzem a melhor folha de tabaco do mundo. Só aceite se for a “Finca Robaina” ou a “Finca de Monterrey”, em San Juan Martinez. Senão, arrisca-se a ir para alguma propriedade sem nenhum interesse para o turista, como fizeram conosco a princípio. No lugar certo, a visita é inesquecível.
Uma plantação do tabaco mais precioso do mundo, em Vuelta Abajo!
Agora que já conheceu como produzem o tabaco mais precioso, volte pra Havana pra dar tempo de vê-lo transformar-se no emblemático Habano. Sem almoço é claro, por isto levou o farnel…
Chegou a hora da visita às famosas e pitorescas fábricas de charuto. As melhores estão na capital, instaladas em centenários casarões, um mundo à parte e fascinante. Dê preferência à Cohiba ou Partagas… Sensacional!
Está cansado? Então feche o dia, em grande estilo, na Casa dos Habanos, onde além de poder experimentar, na hora, o orgulho cubano, existe um sommelier que ensina todo o ritual de como acende-lo e manusiá-lo. Mesmo pra quem não é fumante o programa vale muito a pena!
DIA 5: VARADERO PRAIA. Ir à Cuba e não conhecer um de seus famosos “Cayos” (pequenas ilhas que abrigam as praias mais deslumbrantes e repletas de surpresas da natureza local), chega a ser pecado mortal… Cayo Largo ou Cayo Coco são os mais lindos e têm estrutura para turismo. O problema é que pra chegar é a maior mão de obra, o acesso mais fácil é avião pequeno e antigo. Precisa-se de, no mínimo, 3 dias, pra justificar o esforço.
Numa segunda ida à Cuba será prioridade no meu roteiro.
Embarcando para um mini cruzeiro pelo nas cercanias de Varadero!
Mas tem um paliativo que, pra quem nunca foi ao país, é uma bela introdução praiana. Chama-se Varadero, o balneário mais bombado de Cuba antes da Revolução. Geograficamente, parece com Angra dos Reis, no litoral fluminense. Trata-se de uma cidade muito feia e destruída pela exploração imobiliária, mas cercada de ilhas lindas. Vale pegar um barco e fazer um passeio por algumas delas. A nossa agência tinha tudo, até uma lancha maravilhosa e tinindo de nova.
Uma deslumbrante praia em Cayo Blanco, nas vizinhanças de Varadero.
Na volta, almoçamos em Varadero, na ex casa de praia da família Dupont, a mais rica do país até a chegada de Castro. Hoje é um hotel sofisticado e curioso historicamente, pois a casa ficou completamente preservada, como a família a deixou em 1958. São 8 quartos com fila de espera de 2 anos para a hospedagem, mais campo de golf e um bom restaurante. Chama-se Hotel Xanadu e almoçar por lá já é um bom motivo para conhecer o lugar. Fizemos a reserva pelo Hotel Melia e pedimos, previamente, o “menu a la carte”. Bacana de conhecer.
OBSERVAÇÕES FUNDAMENTAIS:
-A nossa primeira grande surpresa foi quando tivemos uma certa dificuldade pra conseguirmos lugares em avião para a Ilha, com 3 meses de antecedência, principalmente no segundo trecho, Panamá/Havana. O quesito hospedagem, então, foi o maior perrengue. Por enquanto, são 3 milhões de turistas/ano. Quando o embargo estiver efetivamente desfeito, estimam chegar a 4.5 milhões, pelo menos. Digo isto para alerta-lo que esta viagem requer planejamento, senão nada feito.
-Na sequência do parágrafo acima, não conseguimos de modo algum, nos hospedar em Havana Velha. Mas, ao contrário do que nos disseram, faz pouca diferença. O Hotel Melia é ok e tem vista linda para o mar do Caribe. Aconselho a ficar no andar executivo, que funciona com restaurante e concierge exclusivos, o que muda inteiramente a estada.
Havana vista do Hotel Melia!
-Leve euros, cotação muito melhor para troca que o dolar. Aliás, cartão de crédito não é aceito em muitos lugares (o Amex em nenhum), cash é fundamental!
– Pra sair de Cuba, no embarque da volta, guarde 25 CUCs (moeda local que equivale, mais ou menos, ao euro) por pessoa que estiver viajando. É para pagar um imposto de permanência que é feito na hora do check in, como em Fernão de Noronha. Praticamente impossível fazer câmbio no aeroporto.
-Imprescindïvel usar agência de turismo nesta viagem, se quiser ter uma estada tranquila e conhecer o país como ele merece. Pra começar é praticamente impossível, por enquanto, completar uma ligação daqui apara a Ilha, fora o resto. Usamos nossos agentes queridos Alice e Bob Medici, como contei no começo. Eles têm os melhores contatos por lá e realizaram todos os nossos sonhos cubanos.
– A temporada ideal pra conhecer o país é de novembro a abril. À partir daí e na sequência, vem calorão, chuvarada e a temida fase dos ciclones.
– Fomos, em março último, justamente no final do inverno local e, em tese, o clima era pra ser ameno nesta época. Só que entrou uma frente fria vinda dos EUA, a mesma que congelou NYC, e só não morremos de frio porque nossas filhas viajaram no dia seguinte com os devidos casacos que salvaram a pátria. Vi um casal de brasileiros abortar a viagem no meio, por por falta de agasalhos.
. Mais uma peculiaridade, não há nenhum tipo de loja de roupas. Pelo menos que tivéssemos notícia. Portanto, aconselho a levar algo quentinho, por precaução.
– Três programas obrigatório, na divertida noite de Havana:
. Happy hour no emblemático Hotel Nacional, o Copacabana Palace local, com instalações lindas apesar da decadência, jardins deslumbrantes e toda uma história em seus domínios;
Eis o Hotel Nacional de Cuba: um must go!
. Ir a um espetáculo do maravilhoso Ballet Nacional de Cuba. Vimos um “Lago dos Cisnes” de tirar o chapéu e aplaudir de pé!!!
Vimos no Teatro Nacional um “Lago dos Cisnes” inesquecível!!!
. Fundamental reservar uma noite para ir a um dos divinos “night clubs” locais. Tipo túnel do tempo, têm música ao vivo de primeira e um ambiente pra lá de vintage. A-do-ra-mos o “El Gato Tuerto”.
“El Gato Tuerto”… Tem que ir e se tiver fila, enfrente-a, é imperdível!!!
Antes de ir, gostaria de registrar o mais importante, Cuba é uma grata surpresa. Apesar de todos os percalços, nos surpreendemos ao encontrar um país pobre mas não miserável, habitado por um povo encantador, educado e, sobretudo, orgulhoso de sua origem. Mas ficamos pesarosos ao ver pessoas preparadas exercendo profissões aquém de suas possibilidades, para sobreviver: nosso guia tinha 2 doutorados e quase todos os funcionários de restaurantes, escolaridade superior, por exemplo.
Passeando pela Quinta Avenida de Havana com nosso maravilhoso guia Danilo Gómes (de verde, à direita)… Amigos para sempre!
Andamos bastante e em momento algum nos sentimos inseguros. Como na Sicília, a ilha é cortado por uma auto estrada única e bem conservada que leva os interessados a seus confins, de leste a oeste. Seu território não é grande mas bem diverso, por isso em cada parada uma novidade te espera.
Como, efetivamente, o turismo recomeçou muito lentamente, somente há 10 anos e da estaca zero, ainda é precária a locomoção e, sobretudo, a comunicação. Internet é uma dádiva dos céus, concedida só em hotel mega e por período de tempo irrisório. Na TV, dois canais cubanos e um Colombiano fazem a programação. Livraria só com publicações vintage sobre Fidel, Che e cia.
Close numa estante de uma livraria de Havana…
Em compensação Havana é uma cidade alegríssima, de super astral, restaurantes surpreendentes, instalados em lugares lindos e música por toda parte. Espero que a redentora abertura lhes devolva a sacrossanta liberdade mas que não leve a identidade pois a globalização ainda não bateu na porta de Cuba,
Em Havana a música está por toda parte!
Pra quem, guerreiramente, chegou até aqui agradeço a companhia e peço que me desculpe o tempo tomado, mas gostei tanto de tudo que vi na Ilha mais famosa do mundo, que me empolguei… Vai que te convenci! BN
Fiquem com o famoso bar do Bodeguita del Mejo e seu emblemático mojito… Cheersss!!!