Pessoalmente não bebo bebida alcoolica, nunca gostei de beber e como já contei no blog, só gosto de um Bellini de vez em quando, ou alguns cocktails que me remetem a um passado charmoso e um mundo glamuroso que infelizmente está cada vez mais distante…
Os cocktails muitas vezes nos fazem lembrar cenas inesquecíveis do cinema e tornam estes drink icones mundias. Quem não se lembra daquela cena em High Society do Frank Sinatra cantando com Bing Crosby e preparando um Martini, naquele bar absolutamente mítico?
Ou em Casablanca Humphrey Bogart bebendo sozinho na maior fossa esperando Ingrid Bergmam, ou a dança de Grace Kelly, já para lá de Marrakech, com Frank Sinatra, e tudo na maior classe… que diferença da bebedeira de hoje em dia….porque até um pouquinho alta, Grace tinha muita classe e elegância!
Aqui vão algumas receitas de cocktails de filmes legendários…
Sean Connary no papel de James BondPierce Brosnan também de James Bond
O Dry Martini sempre foi a bebida do James Bond.
Ele sempre dizia quero um Martini ” shaken not stirred” ou seja um Martini batido e não mexido! Esta era a bebida do famoso espião após todas as sua perigosas missões.
60 ml de London Dry Gim
1 dose de Vermute seco
Limão, sal, gelo e azeitona.
MODO DE FAZER
Resfrie o copo no congelador por uns 20 minutos,
Coloque o Dry Gim sobre o gelo picado, mexa um pouco, retire o gelo,
coloque 5 gotas de Vermute seco girando a taça para que ela percorra as paredes. Agite com uma colher longa .
Torça a casca do limão, passe a casca sob a borda do copo e uma pitada de sal.
Falta só a azeitona num palitinho espetada e se delicie!
O drink de Humphrey Bogart em Casablanca
25 ml de gim
1 colher de sopa de limão
1 colher de açucar mascavo
Uma dose de Champagne ( pode ser a ” Barons Rothschild “que é maravilhosa! )
1 fatia de laranja
MODO DE FAZER
Colocar gelo picado na taça, acrescente o Gim, 1 colher de suco de limão misturar com o açucar e mexer bem!
Seu drink está pronto!
Marlon Brando fazendo o papel de Don Corleone num dos grandes clássicos do cinema "O poderoso chefão'.
Este era o drink predileto de Don Corleone do Poderoso Chefão,
Whisky e licor de damasco.
Muito fácil de fazer:
Colocar gelo no copo, 75 % do copo de whisky, 25% de licor, mexer e está PRONTO!
A Champagne Barons de Rothschild nasceu da união de ninguém menos que os Barões de Rothschild por trás dos espetaculares vinhos: Château Lafite, Château Mouton e Château Clarke. Os donos são Benjamin do Chateau Clarke, que é banqueiro em Genève; Eric do Lafite Rothschild entre vários outros e Philippe, cuja mãe Baronesa Philippine de Rothschild proprietária do Château Mouton Rothschild.
Em 2005, os integrantes dos diferentes ramos da família Rothschild se uniram para começar a produção em Reims, no coração da região de Champagne na França. Com um sabor elegante, leve e refinado, a uva Chardonay é o principal componente por trás deste delicado bouquet.
Neste ano a família visitou a Côtes des Blancs a fim de buscar os “vinherons” com quem queriam trabalhar, eventualmente chegando a “Coopérative Vinicole de Vertus”que produziria este vinho espetacular. Disponível em três variações: Brut, Rosé e Blanc de Blancs, o champagne chega ao Brasil através de Edouard de Waldner já no final deste mês de abril.
Manuela e Edouard de Waldner brindando com a champagne!
Com o coração partido me despeço de um das minhas lojas favoritas…
A “Delly Gil”, na Cobal do Leblon, um dos meus paraísos de consumo, deu uma tal prosperada, que poderia mudar seu nome para SuperGil!
É que aquela acanhada é deleitosa lojinha, que nos encantou por anos, abarrotada de mil e uma maravilhas gastronômicas, não existe mais. Bem em frente, mas num espaço três vezes maior inaugurou, ontem, sua versão mega e nosso BLOG foi lá conferir e contar tudinho pra vocês!
Agora, achamos todas as antigas delícias mais várias novidades que vão da maneira de expor os produtos à lançamentos sensacionais. Amei: a ilha de frutas secas ( achei chiquérrimo), geladeira de orgânicos, balcão dos secos e molhados mais incríveis da cidade, como é a sua famosa carne seca, uma seção vintage com biscoitos da vovó e doces potugueses de deixar Eça com água na boca, patês franceses e cariocas divinos, todo tipo de sal, azeite e aqueles ingredientes da culinária brasileira que você ou encontra na Feira de São Cristóvão ou vai ter que rodar muito. Enfim, as imagens vão falar muito melhor que eu! Curtam… BN
A fachada do novo Gil: poder!A equipe atenciosíssima é a mesma com Gil, primeiro à esquerda, comandando a banda!Um total look!A seção deconservas, massas e arroz de várias procedências e azeites idem idem: tem até árabe! Este Gil está me saindo melhor que encomenda!Do mar: o famoso bacalhau da casa mais camarões que vão do defumado ao seco!Laticínios variados do mundo afora mais patês franceses e brasileiros, esta geladeira é tudo!Esta ilha é a perdição: dos bijús, doces portugueses, as mil frutas secas e nuts pra todos os gostos, por ela não se passa impunemente!Outra grande ilha: começa nas carnes salgadas, passa por queijos e embutidos fatiados, acabando em Brie de meaaux, fougerus, Brillat de Savarin, etc! Bom até pra treinar o francês!A adega Gil: Tem Petrus e mais 700 rótulos, pra todos os gostos e bolsos!Grand finale: Gil e um maravilhoso presunto Pata Negra! Vá lá conferir!
CONTATO:
Cobal do Leblon, Box 58.
TEL: 21 2294 1151
Convidei João Carlos Pinheiro ou Tuty como é chamado pelos amigos e pela família para escrever sobre o vinho do Porto. Tuty é um enófilo estudioso e teve a oportunidade de expandir seus conhecimentos nos principais polos produtores do mundo. Tuty dá aulas e palestras que valem MUITO a pena….
Vinho do Porto – uma tradição portuguesa para o mundo
O vinho do porto é um vinho como nenhum outro. Tem uma história interessantíssima e se há alguma bebida que pode ser chamada de tradição, este é o caso.
Portugal é, provavelmente, o país com o maior número de castas viníferas, nativas, disponíveis no seu território e um dos 10 maiores produtores de vinho. A origem da vinificação na Península Ibérica remonta cerca de 2000 anos AC, quando um povo bárbaro, os Tartésios, teriam introduzido as vinhas na região. Os Fenícios teriam sido os primeiros a produzir vinho, tradição mantida pelos Romanos até o domínio Muçulmano durante os séculos VII a XII. A nação portuguesa surge entre os séculos X e XII, quando os cristãos se estabelecem na região hoje conhecida.
O nosso vinho desta semana não chega a ser tão antigo assim. Surgiu, para o comércio mundial, a partir do século XVII, embora sua forma de produção já fosse conhecida desde os tempos dos descobrimentos. Reza uma tradição que um Porto teria sido o primeiro vinho a ser engarrafado e datado, em 1775, originando a indicação das safras nos rótulos.
Mas há outra curiosidade: a cidade do Porto, que batizou o nosso vinho de hoje, não o produz! Ele é feito na região Vale do Douro, distante cerca de 100 km. O nome foi atribuído por ele ser comercializado nesta cidade, um porto exportador.
Tecnicamente, não é um vinho de sobremesa, embora tenha um característico paladar adocicado, resultado de sua peculiar forma de produção. É um vinho fortificado ou generoso. Como ele, existe o Madeira, também produzido em terras portuguesas, o Xerez espanhol, o Marsala italiano, um Muscat Australiano e algumas falsificações históricas, inclusive no Brasil.
O sabor doce resulta quando parte dos açúcares do mosto não é convertida em álcool, ao se adicionar a aguardente vínica, para interromper fermentação. Este singular processo tem por finalidade preservar o vinho para enfrentar as longas viagens marítimas, sem azedar. Foi quase por acidente que se descobriu que isto o transformava numa bebida deliciosa, única.
Para compreendermos melhor este vinho, vamos nos deslocar para a região do Douro, onde nascem as uvas que serão usadas no seu preparo. São 80 tipos diferentes de uvas que podem ser usadas na sua produção. Desde os anos 70, há uma tendência para utilizar as varietais Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Nacional e Tinto Cão.
O tipo de terreno, xistoso, fez com que os vinhedos fossem plantados em patamares, solução ainda adotada nos dias de hoje, embora conviva com técnicas mais modernas. A visão destes vinhedos é monumental.
Foi a primeira região demarcada e regulamentada, no mundo, quando o Marquês de Pombal criou a Companhia Geral de Agricultura das Vinhas do Alto Douro em 1756.
Marquês de Pombal
Depois de colhidas, as uvas são “pisadas”, como manda a tradição portuguesa. Mas já há maquinas robóticas nos maiores produtores, porém as tradições ainda são mantidas.
Uvas sendo pisoteadas para a fabricação do vinho
Depois de vinificados, os vinhos são preparados para o envelhecimento, que será feito em armazéns, especiais, na cidade de Vila Nova de Gaia. Antigamente, os barris eram transportados, pelo rio, nos “Barcos Rabelos”. Hoje, viajam em modernos caminhões tanque.
Barcos RabelosVista dos Armazéns.
São nos armazéns que o vinho do Porto nasce. As diversas vinificações serão misturadas, de acordo com cada enólogo, e envelhecidas por um período mínimo, obrigatório, de três anos. Os comerciantes britânicos dominaram este estágio por muitos anos. Por esta razão é que surgem, num produto tipicamente português, os nomes ingleses, que não se restringem às marcas comerciais (Taylor, Graham, Croft, entre outros), mas principalmente definiram sua classificação, seus estilos.
São duas formas de classificação, pela cor e pela forma de envelhecimento.
Segundo a cor, temos:
Ruby – obtido através da mescla de vinhos com diversas origens e anos. Envelhecido em garrafas de grande volume por 3 anos. Tem sabor doce, encorpado, escuro, com um intenso aroma frutado. É um porto “jovem”. Representa a maior parte da produção;
Tawny – obtido a partir dos vinhos que já passaram, pelo menos, 3 anos envelhecendo em madeira. É mais claro e menos doce que o anterior.
Segundo a forma de envelhecimento, temos:
Indicação da idade – Tawny que recebe, no rótulo, uma clara alusão à sua idade – 10, 20, 30 ou mais de 40 anos;
Late Bottled Vintage (LBV) – vinho de uma só colheita, num bom ano, mas que não atinge a mais alta qualificação (Vintage);
Vintage Character ou Crusted Port – obtido pela mistura de diversos vinhos com diferentes idades. Permanece engarrafado por até 6 anos antes de ser comercializado;
Vintage – vinho de uma só colheita, de safra reconhecida como excepcional e certificado pelo Instituto do Vinho do Porto. Permanece envelhecendo em madeira por 2 a 3 anos, antes de ser engarrafado. Depois, são 20 a 50 anos de garrafa! É o que há de melhor, a elite entre os portos. Tem cor escura, encorpado, com sabor marcadamente frutado. Deve ser consumido entre 15 a 30 anos após a colheita.
Podem ser encontradas outras denominações, bastante raras, como “Colheita” e “Garrafeira”, definindo safras muito especiais. Há ainda uma categoria especial: Vinho do Porto Branco, considerado um vinho mais leve, menos alcoólico. Recentemente surgiu um Porto Rose.
Harmonização
Portos são vinhos muito versáteis, tanto podem ser consumidos como aperitivos, acompanhado uma refeição leve, ou como vinho de sobremesa e ainda pode ser utilizado na preparação de coquetéis. A seguir algumas sugestões, sempre lembrando que estes vinhos tem alto teor alcoólico, em geral 20%. Seu delicioso sabor acaba nos traindo e se consumido em excesso…
– Porto Branco Seco e água tônica (Portonic) é uma deliciosa alternativa ao Gin Tônica;
– com salmão defumado, amêndoas torradas e frutas secas use um Porto Branco;
– o Branco pode ser harmonizado com saladas, peixes gralhados e sopas a base de creme de leite;
– com patês e queijos fortes prefiram um Tawny de 10 anos;
– assados e bifes com molhos intensos com pimentas ou algumas especiarias, o LVB é opção ideal;
– nas sobremesas a base de chocolate o Porto ideal é o Vintage ou um LBV. Para os doces portugueses prefiram os Tawnys envelhecidos.
As opções são inúmeras e um pouco de experimentação é sempre bem vinda. Sirva sempre em cálices e com temperaturas entre 6 a 14 graus.
Qualquer coisa podem perguntar ou tirar dúvidas com o tuty: dr.tuty@gmail.com ou tutyg@ig.com.br