Bebel

Bebel Niemeyer

VALE REVER: “RACEITA DE DOCE DE BATATA ROXA DIVINA”

 

Tipo streep tease: revelando a iguaria aos poucos...

Tipo streep tease: revelando o divino doce de batata roxa aos poucos…

 

Aproveitei nossas gloriosas férias para dar uma de Ferán Adriá do brejo…  Para tanto, montei, com a maravilhosa Irene, um humilde laboratório na minha cozinha e nele desenvolvemos (eu falando e ela criando) algumas novas receitas e fáceis, prá gente continuar rolando um lero, no quatro bocas, numa boa.

 

Lembram desta foto na feijoada linda que eu fui?!

Lembram desta foto na feijoada linda que eu fui?!

 

Começo a “desovar” as novidades, por uma promessa: aquele doce de batata roxa surreal, que vimos num post sobre uma linda mesa de feijoada, lembram?
Pois conseguimos fazer, em casa, seu clone e, cá entre nós, de tão bom não deve nada ao seu primo mais chic, o marron glacé. Vamos à receita…

 

Este é o meu ( da Irene) clone....

Este é o meu ( da Irene) clone….

 

INGREDIENTES:
-1 1/2 Kg  Batata roxa;
– 1/2 Kg Açúcar cristal;
– 2 Xícaras de água.

PREPARO:
– Lave e descasque as batatas;
– Ponha em uma panela as batatas, o açúcar e a água;
– Deixe cozinhar, em fogo baixo, mexendo o tempo todo, devagar, até que a batata enteje cozida, já pastosa (soltando os pedaços);
– Caso a água seque, antes da batata estar no ponto ideal de cozimento, acrescente um pouco mais de água, tomando cuidado para não encharca-lo;
– Quando as batatas estiverem perfeitamente cozidas, passe-as numa peneira, amassando, até formar um purê. Só assim ela terá uma textura fina ideal.
– Pegue, então, este purê e volte com ele ao fogo brando e continue mexendo, até dar o ponto do doce, que é quando ele estiver: cremoso, lustroso e soltando do fundo da panela.
– Para dar uma pista, é o mesmo processo do brigadeiro, que só está pronto quando passamos a colher e sua massa está uniforme e compacta, soltando, como uma única porção, do fundo da panela. E como seu irmão de fé, ele também fica puxa-puxa!
– Detalhe: Demora em torno de 2 1/2 h de cozimento.
– Importante: Não ponha na geladeira pois endurece.

Depois, é só servir com um queijo minas maravilhoso e, no dia seguinte, correr pro Céééésarrrrr!!! BN

 

Close up pra dar água na boca....

Close up pra dar água na boca….

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VALE REVER A “PAIXÃO ANDALUZ”!

 

Captura de Tela 2014-09-15 às 17.52.11

Algumas das belezuras da Andaluzia, por onde vamos flanar neste post!

 

Este post é pra nossa muito amada Cristiana Renault, que me fez voltar a um dos lugares mágicos da face da terra, voando de minha própria poltrona, sem pegar turbulência: Andaluzia aqui vamos nós!

Sortuda, fui à Andaluzia três vezes na vida e, a cada ida, aprimorei o roteiro ganhando uma certeza: Faz a a maior diferença organizarmos a viagem em ordem cronológica. A sequência dos acontecimentos está carimbada nos lugares e não segui-la dá a estranha sensação de começar pelo final.

 

Eis o quadrilátero de ouro Andaluz!

Eis o quadrilátero de ouro andaluz!

 

O clássico passeio andaluz é sempre baseado no tripé Córdoba-Granada-Sevilha. O que não nos impede de rechear o percurso central com algumas das pérolas salpicadas pelo imperdível sul espanhol. Como diz meu gurú em viagens, o “Guia Visual da Folha”, na Andaluzia encontramos “todos os estereótipos da Espanha: toureiros, praias, flamenco, vilarejos de casas brancas, casas em cavernas, fiestas exuberantes, procissões religiosas, tapas e xerez”.

Vamos ao roteiro, com a ressalva: melhor começo é mesmo por Madrid, porta natural de entrada à Espanha. Aconselho a fazer o trecho Madrid/Córdoba no maravilhoso trem local (TGV), pois é quase um ritual de iniciação seguirmos o percurso pelo chão, para irmos entrando no clima e chegarmos à Córdoba antes do pôr do sol.

– CÓRDOBA:

 

mezquita-cordoba

O impacto que este “coqueiral” de colunas provoca é inenarrável!

 

Sede do poderoso Califado mouro que se estabeleceu no sul da Espanha, no começo do século VIII, Córdoba foi a primeira capital andaluz. Situada ao norte da região, é ideal hospedar-se no centro histórico pois concentra a maior parte das atrações. Dois dias e três noites são perfeitos para darmos conta de seu lindo recado.

No primeiro dia, acorde cedo e vá dar um “rolé” de charrete, é tão romântico… Volta-se no tempo mesmo à la Julio Verne, a cidade é linda e bem conservada. Depois do almoço, hora de trabalhar. Conheça o maravilhoso “Alcazar de los Reyes Cristianos”, com sua construção imponente e jardins lindos. Na volta pro hotel, pare em um dos bares de tapa da cidade para uma boquinha acompanhada de um xerez: abre o seu apetite e é delicioso.

Dia seguinte, vá direto conhecer a maravilhosa “Mezquita/Catedral”, um dos pontos altos do roteiro andaluz, quanto mais cedo menos gente: seu queixo vai despencar com tanta beleza! Visita terminada, vá passar o resto do dia na “judería” local, sem lenço nem documento. É divino flanar por suas ruelas bordeadas pelo casario mais encantador, as portas abertas revelando aos turistas seus famosos pátios, lindamente floridos. Inolvidable!

– GRANADA:

 

Sua majestade o Palácio do Alhambra ao cair do sol: Uma das maravilhas deste mundo!

Sua majestade o Palácio do Alhambra ao cair do sol: Uma das maravilhas deste mundo!

 

De Córdoba à Granada, há dois meios de transporte e uma certeza: Independente da escolha, trem ou carro, é muito mais agradável a viagem por terra. Bom ficar por aí duas noites e um dia.

Saindo pela manhã, ainda dá pra almoçar no destino, de preferência no charmoso bairro Albaicín. Depois, para digerir em grande estilo, passeie por este canto divino de Granada. Suas vielas são cheias de surpresas e belezuras, como os cármenes, casarões típicos com jardins de tirar o fôlego. Se aguentar, suba até o Mirador San Nicolás e vislumbre o majestoso Alhambra, de preferência no por do sol.

Dia seguinte, dedique-se inteiramente à cereja do bolo andaluz: o palácio do Alhambra e Generalife. Nada a comentar, só vendo!!!

Para fechar com chave de ouro cravejada de brilhantes a sua estada, vá assistir a um espetáculo de flamenco em Sacromonte, numa das cavernas encravadas em sua encosta onde, no passado, ciganos locais apresentavam-se espontaneamente. Informe-se no hotel pois a qualidade dos espetáculos é variável, mas ainda guardam uma certa magia.

– RONDA:

 

Nenhuma foto traduz a dimensão das Cuevas de Nerja!

Nenhuma foto traduz a dimensão das Cuevas de Nerja!

 

Seguindo para Sevilha, recomendo um desvio no roteiro andaluz para conhecer uma preciosidade pré-histórica, nas redondezas de Málaga. São as monumentais Cuevas de Nerja, uma série de grandes e impressionantes cavernas, com pinturas rupestres e o maior vão coberto do mundo.

 

A deslumbrante "Praça de Toros"  em Ronda!

A deslumbrante “Praça de Toros”  de Ronda!

 

Terminada a visita, que dura de duas a três horas, siga para dormir na adorável Ronda, cidade com localização incrível e legado mouro precioso, cuja praça de touros é emblemática e a temporada em “Corrida Goyesca”, das mais concorridas do país. Aconselho um lauto jantar no inesquecível “Tragabuches”.

Acordando, dê uma passeada pela cidade e pé na estrada.

– SEVILHA: 

 

Resumo da história local, como vemos nesta foto legado romano, mouro e católico, Sevilha é a mais majestosa das cidades andaluzes!

Resumo da história local, como vemos nesta foto legado romano, mouro e católico, Sevilha é a mais majestosa das cidades andaluzes!

 

Finalmente chegamos à majestosa Sevilha, a mais “cosmopolita” das três jóias da coroa andaluz, cidade que incorpora perfeitamente a rica história da região, com legados mouro, judeu e católico, além de outras importantes atrações.

Portanto, hospede-se por três noites e dois dias completos. Podendo, dê preferência ao emblemático “Alfonso XIII”, hotel que encarna o espírito da cidade, com sua linda arquitetura mudéjar, mais móveis e objetos de época. Estando ou não sob seu teto, jante por lá no primeiro dia, é muito requintado e o gazpacho inesquecível.

Dia seguinte, primeira providência: rodar pela parte antiga da cidade a bordo de uma charrete linda e, no final, desembarcar na Praza Del Triunfo. Aí, dê um passeio a pé curtindo as fachadas lindas de seus palácios e rume para o labirinto de Santa Cruz, o velho bairro judeu local, com o firme propósito de se perder. É demais. Dá pra passar o dia inteirinho sem repetir uma casa. Antes que ele acabe, vá para o deslumbrante rio Guadalquivir e faça o passeio de “bateau mouche”: Foi daí que Colombo zarpou pra descobrir a América.

 

Os tablados sevilhanos são uma glória!

Os tablados sevilhanos são uma glória!

 

Para o segundo dia, listo as atrações que recomendo:
– A Catedral e La Gironda (Vista deslumbrante da cidade);
– Real Alcazar, fiquei boquiaberta;
– Hospital de Los Venerables;
– Plaza de Toros de La Maestranza (não perca seu charmoso museu);
– Torre del Oro;
– Arquivo das Índias.
– Feche sua festa andaluz indo a um dos maravilhosos “tablados” sevilhanos.

No mais, só o ditado “Conheça o mundo antes que o deixe”. Ele é imperdível. BN

 

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VALE REVER “A RECEITA VINTAGE DE UM SUFLÊ DE QUEIJO SURREAL”

Ele não está em seu maior esplendor pois demorei um pouquinho pra me entender com a máquina de fotografar… Mas o gosto era sensacional e a formação geológica perfeita!

 

Eu amo este souflê porque, como diria minha amada tia Hero, ele é perfeito. Sua receita foi dada pela querida Glorinha Sued à minha mãe, como prova de grande amizade entre as duas: vocês sabem que os mineiros têm um código particular de afeto e conduta e nada é mais significativo para eles, do que revelar os segredos familiares da cozinha, debaixo de sete chaves…

Detalhe, vou contá-lo na versão “Emmental mas fica divino também com “Gruyère” ou queijo coalho.

INGREDIENTES:

8 ovos;
2 cebolas grandes;
200 gramas de manteiga sem sal;
2 pedaços de queijo Emmental, que somados, devem pesar, aproximadamente, 400 gramas.

PREPARO:

Passo 1: Derreta a manteiga, corte cada cebola em quatro partes e junte tudo e cozinhe por 10 minutos. Deixe esfriar bem;
Passo 2: Bata as gemas até formar um creme branco e homogêneo e reserve;
Passo 3: Rale todo o queijo na parte mais grossa do ralador e reserve;
Passo 4: Separe as gemas das claras. Reserve as gemas e bata as claras em “ponto de castelo”, bem firmes, e também reserve;
Passo 5: Separe a metade do queijo ralado e reseve. Junte, num pirex bem alto onde vai ser assado o suflê, o creme feito com as cebolas, o creme feito com as gemas e a outra metade do queijo ralado, misturando tudo;
Passo 6: Delicadamente, misture as claras batidas à mistura do Passo 5, tudo dentro da forma que irá ao forno. Pulverize, por cima de tudo, o restante do queijo ralado, que foi reservado;
Passo 7: Forno para assar, por 20 a 25 minutos. Quando tiver tostado, em cima, está  pronto!

PULOS DO GATO:

1- Se o queijo for de melhor qualidade, seu suflê vai agradecer;
2- O forno tem que estar pelando. Para tanto, deixe-o esquentando por 20 minutos, na temperatura máxima;
3- Minha adorada Helena Gondim, uma das melhores chefs de cozinha que já conheci, me deu esta dica: pôr uma colherinha de café de fermento em pó da Royal, pra ajudar o destino e a subida do suflê. Aqui em casa não usamos, mas Irene esclareceu que quem quiser testar, fazê-lo no Passo 5.
4- Minha mãe, que é das maiores teóricas da gastronomia que conheço sem nunca ter fritado um ovo, diz que o ponto do soufflé é igual ao de um vulcão: Crosta por fora e ponto de lavas em ebulição, por dentro… Se sobrevivermos à esta hecatombe da natureza culinária, ele é divino! BN

 

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VALE REVER “UM ALMOÇO INESQUECÍVEL EM CLIVEDEN HOUSE”

Paramos aqui, no post passado, quando desembarquei neste lindo “Spring Cottage”!

 

Como contei no post “Descendo o Tâmisa”, cheguei à Cliveden House depois de navegar por quase duas horas, saindo de Windsor: estava feliz e faminta.

 

A fonte linda que inaugura o gramado que mais parece um tapete conjugado à deslumbrante casa!

 

Do lindo “Spring Cottage”, onde aportei, até a casa, percorre-se 10 minutos de carro, cruzando parte dos 370 acres de jardins e parques que compõe a deslumbrante propriedade. De natureza pujante, o bosque que acompanha a estrada é denso e constante, talvez pra preparar a nossa entrada na magnífica e gigantesca clareira que abriga o palacete e que começa numa fonte linda, continua por um imenso gramado e termina, triunfalmente, na porta da casa que mais parece um castelo, com sua serena majestade: bem vindos à Cliveden House.

 

Eis a suntuosa Cliveden House: Uma espécie de Downton Abbey da vida real…

 

Com 300 e muitos anos de histórias pra contar, ela nos recebe como se fôssemos um de seus ilustres hóspedes do passado. Construída pelo Duque de Buckingham, em 1666, Cliveden House habituou-se a hospedar a realeza inglesa, até o início do século XX, quando passou às mãos da elite burguesa americana, ao ser comprada pelos Astor. Predestinada, a clientela mudou de reis e duques para “stars” como Charles Chaplin, Bernard Shaw, Winston Churchill ou Franklin Roosevelt: se suas paredes falassem, “Downton  Abbey” estaria perdida.

 

O deslumbrante salão da casa: amo vermelho com verde limão!

 

De outro ângulo… A mesma beleza!

 

Da porta pra dentro, tudo continua lindo-maravilhoso, pontificando o visual anglo-americano, de seus últimos proprietários: na parede ao fundo do salão reina, forever,  Nancy Astor, num lindo óleo pintado pelo divino John Singer Sargent.

 

Vejam Nancy Astor pontificando nas paredes de Cliveden, até hoje, lindamente retratada pelo mestre Sargent!

 

Detalhe da escada capotante que leva ao segundo andar de Civeden!

 

Com a lareira acesa, bouquets maravilhosos e uma atmosfera de filme de época, não me senti cliente um minuto, mas uma ilustre convidada. Nesta onda cheguei à biblioteca, pra encontrar alguns minutos de descanso e um drink geladérrimo.

 

O bar montado na biblioteca: chic!

 

Depois que a gastronomia virou a oitava arte e nos leva aos confins da terra, atrás de suas estrelas, segui para o almoço, que nos esperava e onde tudo estava di-vi-no! Mas muito aqui entre nós, devo confesso: ele estava predestinado ao segundo plano… Impossível competir com os “Remains of the day”.

 

Vejam que linda a “sala de jantar”. Temos que pelejar pra lembrar que estamos num restaurante…

 

Outro recanto…

 

Esta é a vista da sala de jantar: para os lindos jardins de Cliveden!

 

Close up no meu suflê Grand Marnier: sobremesa que como rezando!

 

Fica o conselho: passe um dia de pura magia, com esta dupla dinâmica: “Boating at Cliveden” e “Cliveden House”. São, simplesmente, imperdíveis! BN

 

Termino com a elegância do senhor Manuel da Silva, nos salões de Cliveden House. Nosso querido motorista, que nos guiou por toda Londres e fora dela, sem titubear: ele fez toda a diferença!

 

CONTATO:
TEL: +44 (0) 1628 668561

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