Leio tudo que me cai às mãos, menos bula de remédio, pra não atrair!
Louvo um bom livro mas também me divirto horrores com leituras leves por isso, quando dou um rolé em alguma livraria, fico atenta entre tantas atrações, aos “Best-Seller” New York Times: São sempre mara!
E daí vem esta dica divina que dou pra vocês: Leiam “Quinta Avenida, 5 da manhã”, Editora Zahar, lançado pra comemorar os 50 anos do nosso filme predileto “Bonequinha de Luxo”, é encantador, muitíssimo bem escrito e interessante pros iniciados ou não, no culto à deusa Audrey. Pra mim, bastou o primeiro trecho onde Sam Wasson, seu autor, descreve a mãe de Truman Capote, o arquétipo das Holly, que fiquei touchée e varei a noite em sua companhia! Ok, eu sou uma presa facílima, em se tratando de Mrs Hepburn, mas minha divertida cunhada Marita Graça Bittencourt, que é neutra neste assunto, está amando ao ponto de levar o livro para passear, na missa de domingo, pode? Então, faça como a família Bittencourt, passe os próximos dias muito bem acompanhada! BN
Malkovich encarou a platéia do Municipal lotado, sozinho!
Antes de mais nada, quero esclarecer que John Malkovich é um dos meus ídolos!
Dito isto, o que foi “The Infernal Comedy” no Municipal? O programa prometia um monólogo narrando as memórias de um serial killer. Ilustrando a narrativa, uma orquestra e duas sopranos completariam, com trechos clássicos famosos, uma idéia mara: Teatro e música, da melhor qualidade! Só que acabou sendo um fiasco, porque nada rolou: Não era ópera, nem concerto e muito menos o texto da peça estava à altura do seu protagonista, parecia “imbromation”!
Com a honrosa exceção de Mr Malkovich: Cheio de charme, muita segurança, aquele seu ar “blasé” que arrebata, pelo menos valeu vê-lo, ao vivo e a cores! BN
Rafael Fonseca: O professor que coloca a música clássica ao alcance de todos!
Pedimos ao craquérrimo professor de música clássica Rafael Fonseca escrevesse pra gente sobre as duas orquestras brasileiras mais bombadas. Enjoy it!
“O que é que a baiana tem?” cantava a nossa Pequena Notável. O Brasil produz, de quando em quando, um assombro qualquer para assombrar o mundo. Assim foi Carmen Miranda, que reinou nas telonas, assim foi Bidú Sayão, cujos agudos fizeram dela a maior musa que o Metropolitan de NY já teve, assim foi Pelé, que arrasou nos gramados do planeta, e assim as sandálias havaianas…
Outro dia fui ao nosso Municipal carioca ― aliás, devo dizer, outro assombro: conheço casa de ópera mundo afora e a nossa é bonita de doer! ― bem, voltando, outro dia fui ao Municipal assistir a uma grande orquestra. Aí você pensa: “orquestra alemã, claro”. Não. “Européia, ao menos?”. Necas de pitibiriba. E nem americana (do norte) era. Fui ver a OSESP, ou, por extenso, Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Sim, senhoras e senhores, se alguém ainda não sabe, vos informo: a OSESP figura hoje entre as grandes orquestras do mundo. Você não precisa viajar mais de dez horas de avião para ouvir um Beethoven decente. Bastam 40 minutos. Ou esperar pela visita dela aqui, como neste último 31 de outubro, quando ela abriu sua turnê nacional, começando aqui pelo Rio.
Ah!, e se você conhece alguém que precise do “fator internacional” pra acreditar (muita gente só se convence que uma coisa presta se essa coisa é gostada lá fora, no circuito Elizabeth Arden), diga que ano que vem a OSESP vai tocar como convidada nos famosos Proms de Londres. Um luxo.
Chego na platéia e tenho a surpresa de encontrar na cadeira ao lado a Bebel Niemeyer, que me convida ― fiquei todo-todo ― pra escrever aqui para este concorrido espaço. Espera… contando assim, parece que só por sentarmos lado a lado já veio o convite. Não. É que conversamos longamente, no intervalo e depois, sobre essa excelência da orquestra paulista e os porquês da nossa OSB não atingir os mesmos patamares. Tentei traçar um paralelo da história recente dos dois organismos sinfônicos e Bebel me pede: ― “Escreve isso?”. Claro. Aqui estou, catando o melhor do meu milho.
Acontece o seguinte: faz um tempo e a OSESP era uma orquestra péssima. Tinha um passado de glória, fora a orquestra de Eleazar de Carvalho, o nosso Toscanini. Primeiro ponto em comum: Eleazar também foi regente da OSB. Voltando à terra da garôa: e a OSESP amargava uma sina terrível, ensaiava em restaurante vazio, tocava em qualquer buraco, não tinha sede… Aí vem um sujeito chamado Mario Covas, governador do Estado de São Paulo, e resolve dar dignidade à principal orquestra da cidade. Constrói para ela uma sede, uma Sala de Concertos que em termos de visual e acabamento tira o sujeito de uma das áreas mais degradadas da capital paulista e o joga num ponto qualquer da Suíça, como tudo nos trinques, bonito e funcionando. A orquestra, antes sem teto, agora tem uma casa impressionante, com uma acústica excelente (nem só de beleza vive a música…). Mas o que mais? Pegou-se o maestro brasileiro com melhor projeção lá fora, o braco John Neschling, e pagou-lhe um salário que garantisse sua permanência aqui. Salários, muito bem, esse talvez seja o ponto central: elevaram-se os salários dos músicos ― que passaram por uma reavaliação para ver quem se mantinha num conjunto de melhor padrão ― e quem ficou podia viver dignamente, comprar partituras, comprar um instrumento melhor, apenas com o salário da orquestra. Por uma década e tal, Neschling fez o trabalho primoroso de dar uma identidade à orquestra e seu som, gravou compositores brasileiros, levou a orquestra à Alemanha! Questões políticas com o desagregador José Serra, governador da vez, acarretaram na saída de Neschling, mas o trabalho está lá, se pode ouví-lo!
Agora vamos à OSB: a orquestra tem um passado de glórias, até muito mais importante que a OSESP. Mas, a meu ver, o erro começa no nome. Criada em 1940, quando o Rio ainda era capital federal, ela se diz e se chama “Brasileira”. Em Sampa, eles anunciam a orquestra deles assim: “Pode aplaudir que a orquestra é sua”, e aqui a OSB não é de ninguém. Todas as grandes orquestras do mundo se referem diretamente a uma comunidade e se traduzem no orgulho desta comunidade em ter música tão boa: é a Filarmônica de Berlim, a Sinfônica de Londres, a Orquestra de Paris. Não existe orquestra “nacional” boa, isso é coisa de comunista russo, já era. A OSB é de quem? Dos brasileiros? Vai lá no Acre e pergunta por ela… Exagerei? Pergunta em São Paulo mesmo, mas eles já tem a orquestra deles; em Minas, Aécio deixou um legado da maior importância, a Sinfônica de Minas Gerais, orquestra que já está no caminho de sucesso e triunfo da OSESP. Enquanto isso, aqui no Rio, a OSB não encontra seu “dono”. Sim, porque ninguém a assume. Se fosse mesmo “Brasileira”, a Presidência da República a teria filiado. Poderíamos chamá-la Orquestra do Rio de Janeiro, mudar a sigla para ORJ e talvez a coisa melhorasse. Mas, me perdi no raciocínio e parei o paralelo que estava desenvolvendo…
Voltando, eu falei da OSESP: um governador que teve vontade política; a questão dos salários, a “casa” da orquestra, um bom maestro para moldar-lhe o som. A OSB precisa urgente achar quem lhe apadrinhe ― alô, Cabral! ― e se responsabilize por ela. Os salários melhoraram, não sei se chega a cumprir o necessário para se ter bons músicos. A casa da orquestra será/seria o pomposo elefante-branco chamado Cidade da Música, sumidouro de dinheiro instalado lá na encruzilhada entre Miami e o Projac. (Não dava pra fazer um troço menos megalômano e mais perto?). E não fica pronta! Nunca! E por fim, o bom maestro à frente do conjunto para criar o padrão sonoro… Aí a confusão recente expondo a inabilidade de Roberto Minczuk para lidar com gente diz muito.
Existe ainda uma questão de mentalidade. Vou recorrer à introdução de um dos últimos artigos escritos pelo meu amigo e grande crítico musical Clóvis Marques:
❝Enquanto o balneário carioca se prepara para o carnaval, as duas principais orquestras brasileiras — a veterana Osesp, em São Paulo, e a recém-fundada e já bombando Filarmônica de Minas Gerais — saem na frente, como sempre, anunciando suas temporadas do ano que vem.❞
O primeiro livro do jornalista e querido amigo Edney Silvestre, “Se eu fechar os olhos”, foi sucesso retumbante, consagrado pela crítica e público, e lhe rendeu o cobiçado Prêmio Jabuti de Romance.
Por isso, sua segunda empreitada literária já nasce predestinada a ser um best seller: ” A felicidade é fácil”, será lançado amanhã, dia 3 de novembro, pela Editora Record, na Travessa do Shopping Leblon, às 19 horas e terá leitura, ao vivo, de trechos do livro, pela maravilhosa atriz Cassia Kiss. O enredo transcorre todo em um dia e conta a história de uma criança que é sequestrada, na era Collor, por engano. Aflita, perguntei ao autor se tinha “happy end” e ele, lacônico, me sentenciou: Só lendo!
É isso que vou fazer. Venham, que estamos todos convidados a curtir este sarau literário e descobrir como acaba este sequestro! BN
Edney Silvestre em Belgrado, aonde participou da prestigiada Feira do Livro local, defendendo as cores de sua obra. reparem os cartazes recomendando seu romance... Podre de chic!