Ana Cecilia de Magalhães Lins Lacerda & Bebel Niemeyer & Maria Pia Marcondes Ferraz

A Árvore da vida

 
Enfrentei, neste domingo, “A árvore da Vida” e, confesso, ela me venceu! Pelo menos por enquanto!
Meu primeiro percalço diante do filme, foi transposto depois de 10 minutos de iniciada a sessão, por conta de uma gigantesca e irrequieta cabeça à minha frente e o cinema lotado. Sei, por adivinhação, que teses preciosas para a trama foram propostas durante este período, já que só consegui ler o final de cada legenda, o que a torna ainda mais enigmática.
Resolvido o problema, pude me concentrar como gostaria e deveria diante da tela, porque o filme de Terrence Malick não aceita nenhum desvio de atenção e até o barulho dos sacos de pipoca, normalmente imperceptíveis, tornam-se irritantes. E aí, diante de mim, surgiram dois filmes: Um que amei, rústico e lúdico, violento e terno,” natureza x graça”! Quanta coisa linda foi dita neste plano narrativo, o da história de uma família do interior do Texas. E à medida que a trama evolui, entendemos que de alguma maneira, aqueles ali somos todos nós, resumidos no arquétipo “O’Briens”. Tá, falei a palavra proibida no vocabulário de Malick: Compreender! Mas é tão dificel, depois de Decartes, não se cometer este pecado!
Já o segundo filme é visual, literalmente. Imagens lindas e viscerais entremeiam o plano narrativo que descrevi acima. E aí foi que eu dancei! Ok, aquele fogo todo era o Big Bang, li nas resenhas, porque “Árvore” só com bula. Daí vem a evolução da vida, os micro organismos mutantes, a vida saindo da água e conquistando a terra, dinossauros, etc, etc! E os O’Brien, são os últimos desta cadeia alimentar? Onde ou quando as duas tramas se encontram?
Ta, já ouvi! É pra eu sentir!!!! Vou tentar no próximo fim de semana, quando pretendo revê-lo para treinar meus neurônios ou realizar que eles não passam de Tico e Teco.
Só mais um detalhe: Palmas de Ouro pra Brad Pitt, que como Leonardo di Caprio, deixou pra traz a imagem de “louro burro” e está fazendo uma carreira corajosa, aceitando papéis polêmicos e dando sua linda carinha à tapa! Ele, a linda Jessica Chastain e o menino Mac Cracker estão divines! Curti!
BN

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Kirov 2: A Missão!

Nosso Blog retornou ao Municipal pra ver a apresentação “Gala”, segundo Programa do Ballet do Teatro Mariinsky, na sua turnê pelo Rio de Janeiro.

Foi uma noite mais leve e eclética do que a do”Lago dos Cisnes”, aonde a maravilhosa Companhia pode mostrar pro que veio. Misturando clássico com moderno, apresentou-nos trechos de algumas das mais famosas coreografias de seu repertório. Assim, pudemos nos encantar com seu maravilhoso corpo de baile e curtir seus principais solistas, todos no mesmo dia!

O espetáculo foi dividido em três partes e dois intervalos. A primeira,”Chopiniana”, com coreografia clássica, à seguir “Simple things”, modernérrimo e bem  dançadérrimo e, finalmente,”Divertissement”, um mix de pas de deux imortais, como os de “Carmen” e “Don Quixote” e outras coreografias, fez o Kirov derramar sobre nós a arte da dança em sua forma extrema, enchendo os olhos de todos com seu incrível talento, leveza suprema, precisão técnica e disciplina. Tanta virtude que transbordou, e quando me dei conta, estava wondering até quando haverá comunicação de pessoas tão incríveis, com este nada admirável mundo novo! Por isso, fiz algumas ponderações com os meus botões, durante a apresentação, que divido com vocês agora.

1- A primeira delas, é a pergunta que não calava os espectadores (até uma amigo meu, ex grande bailarino, estava decepcionado). AONDE estão aqueles deuses dançantes russos, que nos tiraram o fôlego no século passado, ali somente e levemente representados por Alexey Timofeev?!

2- Em compensação, pelo menos 5 das bailarinas que solaram, ontem, poderiam ser “Prima-donnas”(posso usar este termo pra ballet?) em qualquer outra grande companhia do mundo!

3- E dentre as rosas, a mais formosa: Ekaterina Kondaurova, o que é aquele ser divino? Ela é clássica ao extremo quando encarna os pobres cisnes e tão eximiamente cool e técnica, na coreografia contemporânea “Simple Things”, que consultei algumas vezes o programa pra confirmar sua dupla existência!

4- Por fim, meu maior dilema: Será que minha filha Maria esta certa ao achar que o ballet, na sua forma ou coreografia clássica, tem os dias contados? A sua teoria é que, cada vez mais, ele será apreciado, unicamente, pelos  “Iniciados no culto de Osiris”. Quer dizer, por quem tem uma ligação afetiva forte com esta forma de arte.
Pensei muito nisso, enquanto a elite da dança desenvolvia, em minha frente,  suas lindas piruetas e confesso que fiquei triste quando a platéia renasceu, no segundo ato, o do moderno “Simple Thing”, depois de entediar-se no demodê mas lindíssimo, “Chopiniana”. What a piity!
BN
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