UM FIM DE SEMANA EM GRANADA

Vista de Granada

Convidei hoje neste dia tão especial que é o dia das mães,  Carolina Neumann Pinheiro para ser blogueira por uma dia, ela vai  contar para nosso blog, um maravilhoso fim de semana que ela passou em Granada. Este roteiro também poderia ser uma ótima sugestão de presente para sua Mãe, é um programa imperdível!

Carolina tem 21 anos é figurinista e diretora de arte. Mora em Buenos Aires desde 2008 e estuda na Universidade del Cine. Seu hobbie é viajar pelo mundo.

Antes de conhecer Granada, pensei que não existia nada romanticamente comparado a Paris, Praga, Veneza e São Petersburgo. Me equivoquei. Desde então, não há um dia sequer, que minha memória sensorial não se perca por Granada.

Lembro sempre da frase do escritor Paul Bowles, em seu livro “O Céu que nos Protege”, no filme homônimo imortalizado pelos planos elegantes de Bertolucci: “O turista sabe exatamente quando será, e até anseia o dia de sua volta, o viajante nem sabe se voltará um dia”. E é sempre com esta frase em mente que me deixo levar pelos prazeres desconhecidos das minhas viagens. Misteriosamente, ao longo da minha vida, sempre me senti atraída por Granada, e como a vida costuma reservar grandes surpresas, quando conheci meu namorado, Diego, aqui em Buenos Aires, descobri que ele tinha descendência direta andaluza. E mais impressionante ainda, granadina. Pronto, era isso o que faltava. Agora que o destino parecia conspirar ao meu favor, era só arrumar as malas. E foi o que fizemos em janeiro, temporada perfeita para estar na Espanha, com seu inverno ameno, ensolarado. Mas antes de seguir os passos dos viajantes dos séculos passados é obrigatório conhecer um pouco da historia dessa joia que a Espanha tão bem preserva e que é, sem duvida, um dos segredos mais bem guardados da Europa.

Jardins generalife.

Que a Andaluzia é conhecida pela sua influência árabe, sabemos todos. E é justamente essa mistura, entre Oriente-Médio e Europa, que faz dessa região um lugar tão mágico. Cidades como Sevilha, Cádiz, Córdoba nos brindam essa beleza exótica. Mas é em Granada, onde toda essa beleza imponente ganha esplendor. Granada parece que parou no tempo, ao contrario destas outras cidades andaluzas que, apesar de conservarem lindos monumentos, como mesquitas e praças no estilo árabe, sofreram fortemente com a influência dos estilos arquitetônicos posteriores. Em outras palavras e de forma mais direta: se tiverem que escolher a algum destino da Andaluzia, escolham, sem pensar, Granada.

Vista da Alhambra com a serra nevada ao fundo.

Granada, ou melhor, a Alhambra, como é conhecida a antiga cidade fortificada que é o principal cartão postal da cidade, foi uma das capitais do reino árabe por mais de 800 anos, até a tomada da cidade pelos reis Fernando II e Isabel a Católica. no século XV, que expulsaram a monarquia muçulmana, juntamente com os judeus e os ciganos, e implantaram o cristianismo. Com o passar dos séculos, a Alhambra e o antigo bairro Albaicín passou a ser habitada pela comunidade moura remanescente. Em 1808, Napoleão Bonaparte e seu exército, na tentativa de conquistar a Espanha, usou a Alhambra, já abandonada, como acampamento militar. Dai em diante, a Alhambra caiu quase no esquecimento chegando a ficar completamente em ruinas até meados dos século XX quando passou por um forte processo de restauração.

Porta típica de Granada , estilo mourisco.

Agora, como se não bastasse de historia, não se pode falar em Granada sem falar de literatura. Tamanha importância, decidi escrever um parágrafo a parte. Os amantes do Romanticismo certamente já ouviram falar de Granada pela poesia de Lord Byron, que, hipnotizado pela Alhambra em uma visita, escreveu um dos seus poemas mais famosos “O Cerco e a Conquista da Alhambra”, além de descrever a beleza da cidade em seu “Don Juan”, que fora ambientado na Andaluzia. Por outro lado, e quase no mesmo contexto histórico, temos a maior marca de Granada na literatura universal: o jovem diplomata e escritor americano Washington Irving, em 1829, visitou a Alhambra e ali decidiu viver e escrever seu “Contos da Alhambra” enquanto escutava, através dos antigos moradores mouros, as lendas e as historias que haviam passado naquele palácio. Para finalizar, a historia de Granada não estaria completa sem seu habitante mais ilustre, Federico Garcia Lorca, que escreveu numerosos poemas sobre sua terra natal. La, se pode visitar a casa de Garcia Lorca que esta no centro da cidade, um pouco afastado do centro histórico.

Museo Garcia Lorca.

Ir a Granada requer todo um preparo sensorial. Caso contrario, visitar um lugar com tanta historia com pouco ou nenhum conhecimento seria um verdadeiro desperdício. Então, recomendo, antes de mais nada, comprar uma edição do livro que citei acima, “Contos da Alhambra” de Washington Irving, que e fácil de encontrar em qualquer livraria grande, e rechear o iPod com Claude Debussy, que compôs a sinfonia “Noite na Alhambra”; Manuel de Falla, que escreveu o concerto “Noites em um Jardim de Espanha”; e por ultimo, Maurice Ravel que escreveu valsas coloridas inspiradas na Andaluzia. Dito isso, agora sim, posso começar com as recomendações:

HOSPEDAGEM:

Em Granada, existem vários hotéis devido a cidade viver praticamente do turismo. Mas como recomendou minha sogra, que nasceu, cresceu e brincou na Granada dos tempos em que a Alhambra ainda era abandonada e uma espécie de parque de diversões proibido para as crianças da cidade, para viver a verdadeira experiência de Granada no estilo mais autóctono deve-se buscar os hotéis no centro histórico, no antigo bairro árabe do Albaicín. E isso significa hospedar-se nos hotéis instalados nas tradicionais casas mouras do séculos XVI e XVII com seus pátios andaluzes. O verdadeiro segredo da hospedagem em Granada e conseguir um quarto com vista para a Alhambra, que de noite fica iluminada e nos faz querer ficar na janela por vários minutos sem piscar. As opções de hotéis nesse estilo são tantas, que, sinceramente, e difícil escolher uma. As mais elegantes são, sem duvida, o hotel “Casa del 1800”, o hotel “Carmen del Cobertizo” e o hotel “Santa Isabel La Real”.  Igualmente, existem opções um pouco mais acessíveis, mas sem duvida tão charmosas quanto, como o hotel “El Capitel Nazari” ou o hotel “Palacio de Santa Ines” (o que nos ficamos e fomos super bem recebidos e assessorados pelo simpaticíssimo recepcionista Pedro).

Pátio do hotel Casa del 1800.

Suite do hotel Palácio Santa Inês.

VISITA a ALHAMBRA:

Para a visita a Alhambra e aos jardins da Generalife, reserve todo um dia. Durma bem na noite anterior, leve um sapato confortável e tenha a câmera sempre acessível. O ideal seria tomar um café da manhã reforçado no hotel e subir caminhando ate a Alhambra. O trajeto dura em media 20 minutos a pé e na subida já ficamos fascinados com as fontes renascentistas. Uma vez passada a Torre da Justiça, a mítica entrada da Alhambra, sentimos que entramos em um set de filmagens das “Mil e Uma Noites”. Perca-se pelos jardins da Generalife, mas comece pelo Palacio Nazari. Conselho: fuja dos grupos turísticos. E um passeio para se fazer sozinho ou em um grupo reduzido, se não, toda a experiência mística de Granada se perderá. A entrada geral sai 20 euros. Terminada a tarde, na descida de volta a Albaicin, aproveite e compre todos os souvenirs que você ficou com a tentação de comprar no caminho de ida: azulejos e cerâmicas coloridas mouriscas, narguilés, cartões postais, xales bordados, etc. Faça uma pausa na Plaza Nueva para recuperar as energias do passeio aproveitando para saborear os doces típicos da região acompanhado de um café. Outra opção, para os que buscam uma experiência mais regional, e sentar-se em uma teteria, as casas de chá árabes, com suas mesinhas baixas de bronze e banquinhos de madeira, e pedir uma rodada de chá acompanhado de Narguilé.

SHOW DE FLAMENCO:

Uma vez em Granada, temos que assistir a um show de Flamenco. Todos os anos, a cidade e sede de um dos principais festivais do gênero. Tanto os músicos como os bailarinos da cidade são de primeiríssima qualidade. Ha varias opções de bons restaurantes que, além do show, oferecem jantar com gastronomia típica andaluza.

SPA & BANHOS ARABES:

Rua Albayzin.

A maior graça de estar em Granada e andar perdido pelas ruazinhas do Albaicin sem nenhum compromisso. E foi desse jeito que descobri o melhor programa para se fazer em Granada. Os banhos árabes. Depois que terminamos todo um dia passeando pela Alhambra, reservamos uma hora de massagem no famoso “Hammam-Al Andaluz”, antiga sauna do império mouro que estava em ruinas e que foi restaurada para transformar-se em museu mas que depois foi modificada para voltar a sua função original. Foi uma ótima opção para fugir do frio e recarregar as energias da nossa viagem. Antes de mais nada, e bom avisar aos que não estão acostumados, que sauna, na Europa, significa homens e mulheres juntos. E isso não significa falta de higiene e pudor, apesar dos preços serem acessíveis. Muito pelo contrario. Pessoas mais idosas, crianças, casais de todas as idades se reúnem ali para relaxar e cuidar do corpo num ambiente com muito respeito e limpeza. Então, não esqueçam de levar um biquíni na mala para essa finalidade. Toalhas e sandálias são entregues logo na entrada. Sauna úmida, sauna seca, piscinas frias e quentes…entre um ritual e outro, tome uma taça de chá de hortelã para reidratar, que esta disponível a vontade em jarras enormes de bronze, como manda a tradição da sauna árabe. Aos que gostam de massagem, podem escolher que tipo de óleo desejam. Minhas dicas: “Flor de Granada” ou “Sândalo”. Além da sensação de renovação, minha impressão, outra vez, foi a de que tinha voltado no tempo. Se existe mais um pecado capital e ir a Granada e não ir no Hammam-Al Andaluz. O ideal seria reservar um horário com algumas horas de antecedência. No site, existem varias promoções, de acordo com o dia da semana e o horário, vale a pena dar uma olhada antes.”

Spa hammam- al Andalus

* nota da escritora: minha experiência com SPAs e saunas é grande.  No verão, estive em Budapest, cidade das aguas termais, e tive a oportunidade de conhecer o SPA do Hotel Gellert. O único, na minha  opinião, que pode ser comparado com o Hammam de Granada.

Site do Hammam:
http://granada.hammamalandalus.com/inicio/ (em espanhol/inglês)

MP

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5 ideias sobre “UM FIM DE SEMANA EM GRANADA

  1. Querida Bebel,
    Transmita ao Dr. Paulo Niemeyer, seu marido, os agradecimentos pela cirurgia feita com tanta sabedoria, inteligencia e bondade, que ele realizou no maestro João Carlos Martins, só partindo dele com tanta sabedoria é que isso foi realizado. Para o maestro foi como um sonho e graças ao Dr. Paulo foi realizado esse sonho. Obrigado mais uma vez a ele por ter trazido para nos de volta o nosso querido maestro brasileiro. Que ele continue assim tão inteligente, realizando tantas cirurgias com sucesso. Que Deus o abençoe sempre! Beijos Cristina

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    Bebel Bittencourt Niemeyer Reply:

    Oi Cristina, que bom receber sua visita no nosso BLOG, isto nos deixa radiantes! Já li pra ele o seu bilhete e ele pede para agradecê-la por tanta gentileza! Bjs carinhosos da BN

    [Reply]

  2. Excelente apanhado sobre a maravilhosa Granada. Amo todo o sul da Espanha, tão místico e exótico.
    Só faltou citar a linda “Granada” de Agustín Lara, cantada inclusive por Pavarotti, P.Domingo e José Carreras.
    🙂

    [Reply]

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